
Ouça este conteúdo
Um delegado da Polícia Federal foi preso pela autoridade nesta segunda (9), no Rio de Janeiro, suspeito de ligação com um esquema de tráfico internacional de drogas. A prisão ocorreu durante o cumprimento de mandados de prisão e de busca e apreensão da Operação Anomalia, que investiga a negociação de vantagens indevidas e venda de influência para favorecer os interesses de um traficante.
Segundo informações confirmadas pela Gazeta do Povo com fontes a par da investigação, o delegado foi preso por envolvimento no vazamento de informações sigilosas de operações da Polícia Federal a membros da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, que levaram à prisão do então presidente da casa, Rodrigo Bacellar (União-RJ), no final do ano passado.
“Os elementos de prova colhidos indicam que os investigados estruturaram uma associação criminosa voltada para a prática de crimes contra a administração pública e favorecimento de interesses atrelados ao tráfico de drogas”, disse a Polícia Federal em nota.
Bacellar teria ligação com o ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos, conhecido como TH Joias, suspeito de ligação com o Comando Vermelho. Ele também foi preso no ano passado pelos crimes de venda de armas, lavagem de dinheiro e corrupção.
Há a suspeita de que este delegado preso vazava as informações de operações sigilosas da PF a Bacellar e a TH Joias. Segundo a autoridade, o esquema envolve, ainda, advogados, um ex-secretário de Estado e servidores públicos.
Os mandados, que incluem ainda três de busca e apreensão, foram cumpridos no âmbito da força-tarefa Redentor II, estruturada com base na chamada “ADPF das Favelas”, uma ação ajuizada pelo PSB no Supremo Tribunal Federal (STF) em 2019 que restringiu e estabeleceu diretrizes para operações policiais no Rio de Janeiro. A ação pretendeu reduzir a letalidade policial e proteger direitos fundamentais, mas foi apontada por autoridades fluminenses como benéfica para a expansão de facções criminosas.
“Visa assegurar a atuação uniforme e coordenada da Polícia Federal na produção de inteligência e repressão aos principais grupos criminosos violentos no Estado do Rio de Janeiro, com foco especial na desarticulação de suas conexões com agentes públicos e políticos”, completou a Polícia Federal.
VEJA TAMBÉM:
A PF afirma que Bacellar teria alertado TH Joias na véspera de uma operação e, posteriormente, apagado conversas do telefone celular. Ele ainda se desfez de objetos em casa e trocou de aparelho após ter sido avisado.
Os agentes recuperaram um vídeo no qual TH Joias mostra objetos que pretendia deixar no imóvel e pergunta ao presidente da Alerj se poderia manter um freezer. Segundo o relatório, Bacellar respondeu chamando-o de “doido” e dizendo para não se preocupar com o congelador.
TH Joias foi preso em setembro do ano passado acusado pela Polícia Civil de atuar em negociações do Comando Vermelho, com “provas robustas” de intermediação de drogas, armas e equipamentos antidrones.













