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A Polícia Civil de Mato Grosso fechou nesta sexta-feira (13) um centro clandestino de treinamento armado do Comando Vermelho instalado dentro da Terra Indígena Tereza Cristina, no município de Santo Antônio de Leverger. O local era usado para treinar jovens e adolescentes da facção em combate armado, sobrevivência na selva e manuseio de armas pesadas.
As investigações duraram dez meses e apontaram que os participantes – principalmente adolescentes – eram levados de barco até uma ilha, geralmente com acesso pela região de Rondonópolis, onde realizavam exercícios com disparos reais. Porém, não há indícios de envolvimento direto dos moradores da aldeia com as atividades criminosas.
“Eles faziam um treinamento completo de instrução de tiro, montagem e desmontagem de armamentos, além de técnicas de sobrevivência na selva. Era um curso estruturado, com etapas semelhantes às utilizadas em treinamentos de forças de segurança”, afirmou o delegado Fábio Nahas.
As investigações sobre a existência do centro de treinamento armado começaram após denúncias de tráfico de drogas utilizando o rio São Lourenço como rota de transporte. Santiago Rozendo Sanches, delegado regional que participou da operação, afirma que a região foi escolhida pelos criminosos por conta da dificuldade de acesso.
“Por ser uma região com 80% do local alagado, [o acesso é] somente com barco”, explicou sendo emendado por Nahas, que pontuou que “a mata está muito fechada e a região completamente alagada”.
De acordo com a apuração, um suspeito conhecido como “Pescador” seria responsável por receber grandes carregamentos de drogas transportados por embarcações provenientes do Mato Grosso do Sul. O material era descarregado em pontos próximos à comunidade indígena antes de seguir para distribuição em diferentes cidades.
Depois do desembarque, a droga era levada por estrada em uma caminhonete até outra residência localizada em um trecho mais afastado da aldeia. Nesse ponto atuaria outro investigado, conhecido pelos apelidos de “Corola” e “Fininho”, apontado como responsável por armazenar e distribuir os entorpecentes.
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Durante o avanço das investigações, a polícia identificou que os dois suspeitos também atuavam como instrutores do treinamento clandestino do Comando Vermelho. As aulas incluíam o uso de armamentos de alto poder de fogo, como fuzis calibres .556 e .762, pistolas .40 e 9 mm, além de metralhadoras e até um armamento calibre .30 montado em tripé.
Os participantes também recebiam instruções sobre como se esconder na mata após confrontos com rivais ou forças policiais.
Além deste local no Mato Grosso, a polícia descobriu, no ano passado, que comunidades do Rio de Janeiro se tornaram centros de treinamento e de tomada de decisões do Comando Vermelho, abrigando traficantes líderes da facção em outros estados para aprender táticas de ataque às operações.












