
Pressionadas pela alta carga tributária e custos operacionais no Brasil, indústrias de setores como têxtil e autopeças estão expandindo suas produções para o Paraguai. O país vizinho atrai investimentos brasileiros oferecendo energia barata e impostos reduzidos através da Lei de Maquila.
O que é a Lei de Maquila e por que ela é tão atrativa?
Criada em 1997, essa lei permite que empresas importem máquinas e matérias-primas sem pagar impostos, desde que o produto final seja exportado. Nesse sistema, a indústria paga apenas 1% de imposto sobre o valor que agregou ao produto. Recentemente, o Paraguai ampliou esses benefícios por até 20 anos, incluindo também o setor de eletrônicos.
Como funcionam as taxas de impostos fora desse regime especial?
O Paraguai utiliza o modelo 'triplo 10': 10% de imposto sobre o lucro das empresas, 10% de imposto de renda para pessoas e 10% de IVA (imposto sobre o consumo). No Brasil, apenas o imposto sobre empresas pode chegar a 34%, sem contar os outros tributos. Essa simplificação paraguaia oferece uma previsibilidade que facilita o planejamento de crescimento dos empresários.
Quais são as outras vantagens competitivas do país vizinho?
Além dos impostos menores, o custo da energia elétrica industrial chega a ser entre 40% e 60% mais barato que no Brasil. Outro ponto relevante são os encargos trabalhistas: no Brasil, eles representam cerca de 80% do salário, enquanto no Paraguai ficam entre 35% e 40%, com regras mais flexíveis para a contratação.
Quais setores da indústria brasileira lideram esse movimento?
O setor têxtil é o mais forte, representando 35% das cerca de 200 empresas brasileiras operando lá, incluindo marcas conhecidas como Lupo e Karsten. Outros ramos importantes são os de calçados, autopeças, metalurgia e plásticos. Atualmente, cerca de 70% de todas as indústrias instaladas sob o regime de Maquila no Paraguai têm origem no Brasil.
O acordo entre Mercosul e União Europeia pode acelerar essa migração?
Sim. Se o 'Custo Brasil' (juros altos e infraestrutura precária) continuar elevado, o acordo comercial pode incentivar empresas a usarem o Paraguai como base exportadora para a Europa. Especialistas alertam que, sem reformas internas que melhorem a competitividade brasileira, o movimento defensivo das indústrias pode se tornar uma tendência permanente de desindustrialização nacional.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
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