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Paradoxo

Por que sobram vagas de trabalho nas melhores cidades do Brasil para se viver

Nas cidades com melhor qualidade de vida do Brasil, vagas de trabalho permanecem abertas por falta de mão de obra.
Nas cidades com melhor qualidade de vida do Brasil, vagas de trabalho permanecem abertas por falta de mão de obra. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

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As melhores cidades do Brasil para se viver em 2025 enfrentam um paradoxo. Elas lideram o ranking de qualidade de vida, no levantamento realizado pela Gazeta do Povo, mas não conseguem preencher vagas de trabalho. O problema não está na economia. Segundo administração pública de alguns desses municípios, falta gente.

O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego, registra um descompasso crescente nestas cidades, a partir da movimentação do emprego formal entre janeiro e novembro de 2025, com. A qualidade de vida avança, a oferta de mão de obra recua.

Esse fenômeno aparece, sobretudo, em municípios do interior, que combinam renda média elevada, segurança pública e serviços eficientes. Ainda assim, convivem com escassez de trabalhadores.

"Com a redução de ingressos na força de trabalho e o aumento de colaboradores aposentados, essa demanda de vagas tende a aumentar. Talvez, conhecendo a realidade do município e verificando as condições de vida, aconteça uma mudança e mais trabalhadores de fora busquem essas oportunidades", afirma a prefeita de Jateí, no Mato Grosso do Sul Cileide Cabral (PSDB).

Os números indicam pleno emprego em diversas cidades. Paraí (RS) teve saldo positivo de 103 vagas formais no período analisado. O município figura entre os mais dinâmicos do grupo. São Bento do Sapucaí (SP) registrou saldo positivo de 79 postos. Jateí (MS), líder nacional em qualidade de vida elaborado pela Gazeta do Povo, fechou o mês de novembro com 53 vagas em aberto.

  • Jateí (MS): 53 vagas
  • Montauri (RS): 29 vagas
  • Paraí (RS): 103 vagas
  • Nova Bréscia (RS): 12 vagas
  • Coqueiro Baixo (RS): 5 vagas
  • São Bento do Sapucaí (SP): 79 vagas
  • Cruzália (SP): -36 vagas
  • Santa Salete (SP): 37 vagas
  • Barra Funda (RS): -51 vagas
  • Guabiju (RS): 8 vagas

Os dados reforçam um padrão. A oferta de trabalho cresce mais rápido do que a população economicamente ativa.

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Sucesso urbano cria os chamados gargalos demográficos

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ajudam a explicar o cenário. O sucesso dessas cidades não diminui os desafios de uma pequena população e ainda produz efeitos colaterais.

O primeiro deles envolve a saída de jovens. Muitos deixam o município para cursar ensino superior em centros maiores. Poucos retornam. A evasão reduz a base técnica local.

O segundo fator é o envelhecimento populacional. Cidades com boa estrutura de saúde ampliam a longevidade. A reposição da força de trabalho não acompanha esse ritmo. O resultado é direto: o mercado oferece vagas e falta candidato.

Para o superintendente do IBGE no Paraná, Elias Guilherme Ricardo, municípios pequenos precisam de políticas de atração de moradores. "Eles enfrentam gargalos demográficos claros. A população envelhece em ritmo acelerado, enquanto jovens saem para estudar e não retornam. A base ativa diminui. O mercado oferece vagas, mas não encontra trabalhadores. Sem políticas de atração de moradores e qualificação local, o crescimento econômico perde fôlego".

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Jateí aposta em atração de novos moradores e sucessão familiar

O cenário de escassez de mão de obra também revela uma mudança profunda no perfil de quem aceita ocupar essas vagas. "Muitos dos trabalhos disponíveis nas pequenas cidades não atendem expectativas das novas gerações. Por isso, há quem prefira empreender, criar a sua própria forma de trabalho. De outro lado, aposentados voltam ao mercado, porque as vagas não são preenchidas", explica Guilherme Ricardo.

Em Jateí, a consolidação da suinicultura e o crescimento da agricultura explicam a abertura de novas vagas. "No nosso caso, as políticas de atração de moradores alcançam resultados. A suinicultura e a variedade na agricultura têm atraído muita gente. Temos moradores que vieram de outros estados, como Pará e Minas Gerais. Temos vagas, mas temos novos moradores chegando", contextualiza a prefeita de Jateí.

"Com a proximidade de Dourados e com as faculdades on-line, muitos jovens ficam por aqui, formando suas famílias. Eles acabam se aperfeiçoando para os novos tempos, indo além do que os familiares foram, criando novas formas de explorar negócios familiares", acrescenta a prefeita do município.

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