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A Itaipu Binacional repassou R$ 1,381 bilhão em royalties ao Brasil em 2025, valor direcionado aos cofres da União, de seis estados e de 347 municípios. O repasse compensa o uso do rio Paraná, na fronteira do Brasil com o Paraguai, conforme prevê o Tratado de Itaipu, assinado em 1973 pelos países parceiros. Desde o início dos pagamentos, em 1985, o volume acumulado já ultrapassa US$ 14,6 bilhões.
Os royalties da Itaipu Binacional entraram na mira da oposição ao governo Lula pelo uso dos recursos destinados a projetos socioambientais no terceiro mandato do presidente. Em 2023, a gestão petista assumiu o comando do lado brasileiro da usina hidrelétrica e passou a destinar verbas da estatal para patrocinar atividades com viés político-partidário. Segundo estudo da Consultoria Legislativa da Câmara dos Deputados, os aportes financeiros cresceram 184% no início do governo Lula.
Em dezembro, Brasil e Paraguai retomaram as negociações para a revisão do Anexo C do Tratado de Itaipu, após a suspensão das tratativas motivada pelas divergências nos valores da tarifa e pelo caso de espionagem na Agência Brasileira de Inteligência (Abin), que teria sido usada pelo governo federal para monitoramento do Paraguai antes do início das negociações.
O Ministério de Minas e Energia defende o retorno à tarifa técnica de US$ 9 por quilowatt (kW) a partir de 2027. A ação pode reduzir a conta de luz do consumidor brasileiro e eliminar excedentes usados para financiar despesas adicionais.
Em sentido oposto, o presidente paraguaio Santiago Peña defende a manutenção da tarifa em US$ 19,28 por kW, valor vigente até o final de 2026 após acordo com o governo Lula. Peña considera que os recursos são essenciais para áreas como saúde e educação. O presidente também condiciona o acordo à autonomia para que o Paraguai possa vender seu excedente de energia a outros mercados, e não apenas ao Brasil.
Entenda como é dividido o repasse dos royalties da Itaipu no Brasil:
A lei brasileira estabelece critérios fixos para a divisão dos recursos arrecadados:
- 65% para os municípios
- 25% para os estados
- 10% para a União
Em valores absolutos, a distribuição em 2025 resultou em:
- municípios: R$ 898 milhões
- estados: R$ 345 milhões
- governo federal: R$ 138 milhões
Paraná concentra a maior parcela dos royalties da Itaipu
Por abrigar a margem brasileira da usina, o Paraná lidera o recebimento dos royalties da Itaipu.
- O governo estadual recebeu R$ 293 milhões, o que representa 85% de toda a parcela destinada aos estados.
- As 49 cidades paranaenses contempladas ficaram com R$ 761 milhões, também 85% do total distribuído aos municípios.
Repasses a outros estados e municípios:
Além do Paraná, os royalties municipais alcançaram cidades de outros estados:
- Minas Gerais: R$ 67 milhões para 93 municípios
- São Paulo: R$ 30 milhões para 159 municípios
- Goiás: R$ 26 milhões para 38 municípios
- Mato Grosso do Sul: R$ 14 milhões para 7 municípios
- Distrito Federal: R$ 64 mil
Entre os governos estaduais, os valores distribuídos foram:
- Minas Gerais: R$ 26 milhões
- São Paulo: R$ 11 milhões
- Goiás: R$ 10 milhões
- Mato Grosso do Sul: R$ 5 milhões
- Distrito Federal: R$ 24 mil
União justifica uso de royalties da Itaipu em áreas de desenvolvimento e economia
O economista Emerson Esteves, do Conselho Regional de Economia do Paraná (Corecon-PR), explica a aplicação dos recursos nas principais frentes estabelecidas pelo governo federal. “Os recursos, na prática, são aplicados em diversas áreas para o desenvolvimento regional, com destaque para a infraestrutura, como pavimentação asfáltica, estradas, obras de drenagem e melhorias urbanas, além de serviços públicos, incluindo educação, saúde e saneamento básico", comenta.
Ele também aponta o uso dos royalties para o desenvolvimento econômico. "São usados para ações voltadas à industrialização, ao apoio à agricultura e a programas para o turismo local. Nas gestões municipais, os recursos são integrados para financiar programas de alta visibilidade e melhoria na qualidade de vida da população", opina.
Os R$ 138 milhões repassados à União tiveram aplicação definida nas seguintes áreas:
- Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico: R$ 56 milhões
- Ministério do Meio Ambiente: R$ 41 milhões
- Ministério de Minas e Energia: R$ 41 milhões

Itaipu amplia produção em 8,6% e fecha 2025 com recorde de eficiência
A usina de Itaipu encerrou 2025 com produção de 72.879.287 MWh, alta de 8,63% em relação a 2024. O resultado decorreu de uma afluência 8,57% maior e do aumento da demanda dos sistemas elétricos do Brasil e do Paraguai. Segundo a Itaipu, o volume gerado permitiria abastecer todo o planeta por um dia ou a região Sudeste do Brasil por três meses e meio.
Do total produzido, 36% atenderam o Paraguai, o que correspondeu a cerca de 87% do consumo nacional. O Brasil consumiu 64%, volume equivalente a aproximadamente 7% de toda a energia usada no país em 2025.
Em 5 de setembro, Itaipu ultrapassou a marca histórica de 3,1 bilhões de MWh desde o início da operação, em 1984, energia suficiente para abastecer o planeta por 44 dias. O marco reforça o papel da binacional na geração de energia limpa e no desenvolvimento sustentável dos dois países.
A taxa de disponibilidade das unidades geradoras atingiu 96,29% em 2025, acima da meta empresarial de 94%. Essa atuação permitiu otimizar a produção em momentos críticos, como no início de novembro, quando chuvas intensas exigiram a abertura do vertedouro para controle do reservatório.
Itaipu responde por 11,6% da geração hidráulica do Brasil
A energia fornecida por Itaipu ao sistema elétrico brasileiro respondeu por 11,6% de toda a geração hidráulica do país em 2025. No comparativo com outras usinas, Itaipu entregou 59% mais energia que Belo Monte, 78% mais que Tucuruí, 2,75 vezes mais que Santo Antônio e 2,94 vezes mais que Jirau.
A usina executa um plano de atualização tecnológica, com US$ 670 milhões em investimentos já contratados. O programa começou em maio de 2022, tem duração prevista de 14 anos e inclui a substituição de sistemas de controle e proteção da usina. A modernização abrange as 20 unidades geradoras, a subestação isolada a gás, os serviços auxiliares, as comportas do vertedouro, a barragem e a Subestação da Margem Direita.
"No contexto de transição energética que estamos vivendo, além de fornecer muita energia firme, Itaipu responde por entregar instantaneamente a potência que os sistemas necessitam, seja quando a carga é maior que o previsto, seja quando há redução da geração solar ao fim do dia", afirma o diretor técnico executivo da Itaipu, Renato Sacramento.









