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Para entender

Quem vai liderar a nova força-tarefa da Interpol na América do Sul?

Disparidade de recursos entre as polícias da região e a instabilidade política de alguns países vizinhos são fatores que podem dificultar o compartilhamento de informações sensíveis (na imagem, vista aérea de Buenos Aires). (Foto: Gabriel Ramos/Unsplash)

O Brasil foi escolhido pela Interpol para chefiar uma força-tarefa inédita contra o crime organizado na América do Sul. Com sede em Buenos Aires e coordenação da Polícia Federal brasileira, a iniciativa lançada em março de 2026 foca na aliança entre facções e cartéis de drogas regionais.

Qual é o principal objetivo desse novo grupo policial?

O foco principal não é apenas apreender drogas, mas atacar o bolso dos criminosos por meio do combate à lavagem de dinheiro. A meta é congelar bens, bloquear contas bancárias e desmantelar as redes financeiras das facções criminosas brasileiras que atuam em conjunto com cartéis colombianos e andinos. Além disso, o grupo vai buscar líderes criminosos que se escondem em países vizinhos usando identidades falsas.

Como funcionará a cooperação entre os países?

Policiais de todos os países sul-americanos trabalharão lado a lado no escritório regional da Interpol em Buenos Aires. Eles terão acesso direto ao banco de dados mundial da entidade, o que permite cruzar informações biometrias (como digitais), registros de apreensões e dados financeiros em tempo real. A ideia é criar uma rede policial mais ágil que a própria rede criminosa, identificando ativos e bens de forma imediata.

Por que a sede será em Buenos Aires se o Brasil lidera?

A escolha de Buenos Aires como sede oficial se deve ao fato de a capital argentina já possuir um escritório regional da Interpol muito bem estruturado e ativo. No entanto, toda a coordenação estratégica e operacional dos trabalhos está sob a responsabilidade da Polícia Federal brasileira. O governo do Brasil também é o responsável por financiar o primeiro ano do projeto com um orçamento de R$ 11 milhões.

Quais outros crimes estão na mira dessa força-tarefa?

Além do tráfico internacional de drogas e armas, o grupo dedicará esforços para combater crimes ambientais na Amazônia, como o garimpo ilegal. Essas atividades têm se tornado fontes de renda secundárias importantes para as grandes facções criminosas. Ao atacar a origem desses recursos e as rotas de trânsito, a Interpol espera reduzir o poder de fogo desses grupos dentro das cidades sul-americanas.

Quais são os maiores desafios para o sucesso da iniciativa?

Especialistas apontam que a grande diferença de recursos financeiros e tecnológicos entre as polícias de cada país pode ser um obstáculo. Outro fator de risco é a instabilidade política em algumas nações vizinhas, o que pode dificultar o compartilhamento de informações muito sensíveis e planejamentos de longo prazo. O projeto é inspirado no modelo brasileiro da Ficco, que une diferentes forças policiais para operações contínuas.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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