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Cinema

A anti-Mary Poppins põe ordem na casa

Tanto a sinopse quanto o cartaz de Nanny McPhee – A Babá Encantada, filme infanto-juvenil que estréia hoje em circuito nacional, fazem lembrar o clássico Mary Poppins, musical de 1964 que fez da britânica Julie Andrews uma estrela internacional. As diferenças entre as duas produções, no entanto, são muitas – e fundamentais.

Ao contrário da personagem imortalizada pelo clássico dos Estúdios Disney, Nanny McPhee (Emma Thompson, oscarizada por Retorno a Howard’s End) não tem um sorriso indefectível, tampouco a habilidade de voar com a força do vento. Nem sai cantando a cada conflito que surge na sua lida diárias com os pimpolhos que é contratada para cuidar.

Para início de conversa, McPhee é o cão chupando manga, feia de doer, com múltiplas verrugas espalhadas pelo rosto, sem falar de um proeminente nariz apenas rivalizado pelo saliente dente da frente, que a faz lembrar uma parente distante de Chico Bento, criação do brasileiro Maurício de Souza. A idéia é que a personagem não dependa de sua aparência para conquistar os pequenos.

A babá, munida de uma espécie de cajado mágico, entra em cena quando se esgotam todos os recursos para que o atrapalhado viúvo Cedric Brown (Colin Firth, de O Diário de Bridget Jones) consiga domar seus sete filhos, todos indisciplinados e carentes de atenção e limites. Tanto que nada menos do que 17 babás foram sucessivamente defenestradas pela tropa sem piedade antes que a personagem-título desse o ar de sua graça.

Quando tudo parece perdido, bate à porta dos Brown a estranha figura de Nanny McPhee, que, ao contrário da "fada" Mary Poppins, não veio para distribuir carinho de graça à criançada, pelo contrário. Sua missão é, em cinco lições, ensinar os filhos do sr. Brown boas maneiras, civilidade e solidariedade.

Escrito por Emma Thompson, já premiada com um Oscar pelo roteiro de Razão e Sensibilidade (baseado na obra de Jane Austen), Nanny McPhee é, de uma certa maneira, um filme infantil à moda antiga. Embora tenha efeitos especiais, eles são utilizados com parcimônia, não ofuscando a história, que está longe de subestimar a inteligência do público-alvo. Lembra o tom dark de A Fantástica Fábrica de Chocolates.

Outro ponto alto é o elenco. A excelente atuação de Emma Thompson é acompanhada por ótimos desempenhos de Colin Firth, no papel do apatetado pai das crianças Brown, da veterana Angela Lansbury (de Se Minha Cama Voasse), como uma tia autoritária e algo vilanesca, e de outros talentos notáveis das artes cênicas britânicas. GGG1/2

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