Com uma narrativa inicialmente centrada no glamouroso mundo da moda, Viver a Vida, nova novela de Manoel Carlos, no ar há duas semanas, retrata um universo bastante diferente do de sua antecessora, Caminho das Índias, de Glória Perez. Podres de ricos inclusive o núcleo de médicos residentes , grande parte dos personagens passa o tempo fazendo compras, passeando de iate em Búzios, comparecendo a festas, jantares e desfiles e bebendo champanhe (que o diga a alcóolatra Renata, personagem de Bárbara Paz).
Na boa vida de Maneco, além de muita grana, não faltam clichês: a mais bonita (Helena, de Taís de Araújo) é também a mais humilde; a ex-mulher trocada por uma jovem linda é a mais recalcada (Teresa, de Lília Cabral) e o coroa mais rico (Marcos, de José Mayer) é o mais desejado e atraente. Na boa vida de Maneco, o castigo vem à galope: quem manda a modelo Luciana (Alinne Moraes) ser tão invejosa? Em breve, vai sofrer um acidente e ficar paraplégica. Sumiços providenciais também integram o expediente do dramaturgo. Como por exemplo, o do marido da médica Ariane (Christine Fernandes), que morreu repentinamente para que o telespectador pudesse se debulhar em lágrimas ao assistir à cena em que a viúva conta ao filho pequeno do casal sobre o falecimento do pai. Nesses momentos, Manoel Carlos não quer nem saber: pega pesado e exagera no drama, com direito a cenas embaladas apenas pelo badalar fúnebre de um sino ou então a imagem do pequeno órfão depositando um desenho da família sobre o corpo do pai morto.
Mas, às vezes, o exagero não parece ser culpa de Maneco. O diretor Jayme Monjardim parece não conseguir controlar, por exemplo, a interpretação exagerada de Sandrinha (Aparecida Petrowky), que quase implode a cada respiração. Ou então, os trejeitos teatrais de Bárbara Paz, que vem tentando roubar de Renata Sorrah (a genial Helena Roitman, de Vale Tudo) o posto de bêbada mais barraqueira da teledramaturgia nacional. Tudo muito artificial. Simplesmente não cola.
E já que o assunto é excesso, o que dizer da campanha pró-virilidade de José Mayer, no capítulo da última quinta-feira (24)? Durante sua lua-de-mel em Paris, Helena não teve sossego: o cinquentão milionário não queria saber de sair da cama do hotel e seu feroz apetite sexual era celebrado em nove de dez frases incluídas nos textos de ambos os personagens. Patético, para dizer o mínimo.
Nessas horas, até as coreografias bollywoodianas de Caminhos das Índias chegam a dar saudade.



