Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Teatro

“A Cia. Brasileira continua curitibana”

Marcio Abreu, diretor da Cia. Brasileira de Teatro

 | Priscila Forone/Gazeta do Povo
(Foto: Priscila Forone/Gazeta do Povo)
Cena de Esta Criança com Renata Sorrah e Ranieri Gonzalez: indicações a diversos prêmios nacionais |

1 de 1

Cena de Esta Criança com Renata Sorrah e Ranieri Gonzalez: indicações a diversos prêmios nacionais

Primeira peça confirmada para a grade oficial do Festival de Teatro deste ano (que vai de 26 de março a 7 de abril), Esta Criança, da curitibana Cia. Brasileira de Teatro, recebeu abraço caloroso da cena nacional. Após a estreia em novembro, no Rio de Janeiro, foi indicada em cinco categorias ao Shell carioca (o trabalho anterior, Isso Te Interessa?, foi eleito pela revista Bravo! e a Associação Paulista de Críticos de Artes o melhor espetáculo do ano). A parceria com Renata Sorrah, que estrela a montagem (leia a crítica ao lado) deve ser mantida no próximo trabalho do grupo, Krum, do israelense Hanoch Levin. O diretor Marcio Abreu conversou com a reportagem por telefone e garante que a companhia continuará curitibana.

Como surgiu o interesse de montar esse texto do francês Joël Pommerat?

É muito diferente de todos os outros processos da companhia. Eu tinha assistido a Cercles/Fictions na França e gostei muito. Depois, falando com a Renata sobre o que faríamos juntos, entre outras coisas mostrei o Pommerat e ela percebeu uma coincidência, já que Ariane Mnouchkine [do Théâtre du Soleil] a havia presenteado com textos dele. Cet Enfant ("Esta Criança") era um desafio maior na nossa trajetória. O texto tem uma natureza bem radical, é bem aberto. Digamos que não é "de palco", e sim autônomo, permite fazer muitas coisas. E é bastante condensado, uma concisão que eu já vinha pesquisando. Então lemos outros textos dele, foi um trabalho bastante profundo.

São várias histórias?

Mais do que histórias, são dez situações autônomas sobre o mesmo tema, que é a relação familiar, pai e filho. Uma derivação do tema. É como se tivéssemos acesso a dez pedaços de história.

Houve alguma adaptação?

Nenhuma, é um texto universal e não faria sentido adaptar a nenhuma realidade específica, porque não trata de realidades culturais, e sim humanas.

É possível classificar este trabalho e Isso Te Interessa? com o termo "tristes"?

Não. A companhia não trabalha com gêneros, não faço comédia, drama ou tragédia. Enfim, cabe ao público perceber de que forma aquelas questões provocam seu humor. Não é sobre isso que a companhia trata, e todos os nossos trabalhos têm alguma dimensão de humor. Mas é óbvio que as questões tratadas na peça são profundas dentro da relação pai-filho. Tem situações trágicas. Eu diria que existe uma dimensão trágica em cada uma delas. E Isso Te Interessa? é essa epopeia familiar, em que você pode reagir à melancolia ou pode encontrar humor.

Como foi o amálgama de Renata Sorrah com os demais artistas da companhia?

Foi um trabalho muito rico, um encontro, uma troca de artistas muito intensa, assim como com todos os outros artistas que participaram do processo [Ranieri Gonzalez, Edson Rocha, e Giovana Soar, que é da companhia]. A Renata é uma das maiores referências de teatro da geração dela, com repertório magnífico, lançou um sem número de clássicos, peças absolutamente revolucionárias. Ela trouxe trabalhos inéditos para o Brasil, como O Grande Pequeno, do alemão Botho Strauss, e a primeira peça de Fassbinder encenada no Brasil.

Vocês continuam neste ano a parceria com Renata Sorrah, no Rio. Existe algum plano de a companhia "se mudar"?

A companhia é sediada em Curitiba, o que não impede de trabalhar em qualquer lugar. Não é novo o fato de trabalharmos fora, sempre fizemos isso.

Mas agora houve uma forte repercussão nacional.

Sim, mas tivemos também em outros momentos. A novidade desse ano é que tivemos um maior número de indicações a prêmios, então parece uma repercussão maior, mas a gente se apresenta há uma década fora da cidade. É importante dizer isso, porque é o resultado de um trabalho de muito tempo.

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.