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O declínio do homem público

A coerência entre discurso e atitude na vida pública

Conheça exemplos de personalidades da política brasileira, vistas por cientistas políticos como referências de "decência"

Joaquim Nabuco e Marina Silva (foto 2): citados como exemplos de como é possível ser político “e decente” ao mesmo tempo | Divulgação
Joaquim Nabuco e Marina Silva (foto 2): citados como exemplos de como é possível ser político “e decente” ao mesmo tempo (Foto: Divulgação)
Joaquim Nabuco (foto 1) e Marina Silva: citados como exemplos de como é possível ser político

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Joaquim Nabuco (foto 1) e Marina Silva: citados como exemplos de como é possível ser político

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Joaquim Nabuco (1849-1910) é considerado, pela absoluta maioria de estudiosos, um ho­­mem público exemplar. Diplo­­mata, foi um dos idealizadores do movimento abolicionista. Nabuco foi, sobretudo, um leitor, que sabia escrever com muita verve, seja nas páginas de jornais ou nos livros que deixou como legado, a exemplo de Minha For­­mação, uma das mais instigantes autobiografias da história da cultura brasileira.

Mas há quem faça restrições ao "mito" Nabuco. "Como provar que Nabuco é ‘melhor’ do que o Tião Viana (PT-AC), o senador que não declarou a compra de terreno de R$ 30 mil, onde construiu uma casa de R$ 600 mil?", questiona o cientista político da Uni­versidade Federal de Minas Ge­­rais (UFMG) Carlos Ranulfo. O es­­tudioso pretende, com a indagação, questionar es­­sa ideia de que "tudo era melhor no passado". "Quem garante que no tempo de Nabuco não eram cometidos, guardadas as propoções, ‘atos secretos’ semelhantes aos de hoje?", pergunta Ranulfo.

A Gazeta do Povo consultou cientistas políticos, de várias uni­­versidades brasileiras, e perguntou: que político seria exemplar, pela coerência entre discurso e prática?

Vários estudiosos apontaram a senadora Marina da Silva, que pretende disputar a Presidência da República pelo Partido Verde, como um exemplo. Ex-serin­guei­­ra, analfabeta até os 16 anos, construiu trajetória política lutando pelo direito dos menos favorecidos. No­­me­a­da pelo presidente Lula para o Mi­­­­­­­nistério do Meio Ambiente, aban­­donou o cargo, em 2008, no momento em que percebeu "incoerência" na política federal. "A Marina Silva é o Brasil que dá certo", afirma Fábio Wan­der­­ley Reis, da UFMG.

O senador gaúcho Pedro Si­­mon (PMDB) é outro nome citado como referência. Ele é considerado um "bom político" pelo fato de, até hoje, não ter o nome associado a desvios de dinheiro público. "O Simon é um ótimo representante do povo no parlamento", diz Maria do Socorro Braga, da UFSCar.

José Richa (1934-2003) é ou­­tro nome citado por vários ob­­servadores críticos. O ex-governador do Paraná, um dos fundadores do PSDB, é – na avaliação do professor da PUCPR Carlos Mag­no – "um homem público que deixou um legado de como é possível ser ‘digno na política’, por não ter se corrompido com o poder."

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