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Memória

A embaixatriz da beleza paranaense

Livro e documentário Didi Caillet – A Musa dos Paranistas, que será lançado hoje, traz o auge da celebridade da Miss Paraná entre 1929 e 1933

Com reconhecimento do público, Didi Caillet não foi eleita Miss Brasil por motivos puramente políticos | Arquivo
Com reconhecimento do público, Didi Caillet não foi eleita Miss Brasil por motivos puramente políticos (Foto: Arquivo)
A Miss Paraná com fotógrafos em festa que concedeu para homenagear a imprensa antes de voltar do Rio de Janeiro |

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A Miss Paraná com fotógrafos em festa que concedeu para homenagear a imprensa antes de voltar do Rio de Janeiro

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A história de Didi Caillet, Miss Paraná e ?quase? Miss Brasil em 1929, confunde-se com a trajetória do paranismo e com a participação mais efetiva das mulheres na sociedade. Sem querer, foi uma feminista e ajudou a levar o nome do estado para o resto do Brasil. Ela foi a ?Marta Rocha paranaense? ? já que perdeu o concurso nacional por motivos políticos: a vencedora, Olga Bergamini, Miss Rio de Janeiro, era sobrinha de Getúlio Vargas. Porém, Olga recebeu a faixa aos gritos de ?É a Paraná!? das 50 mil pessoas da plateia. Para eles, a verdadeira miss do primeiro concurso nacional do país fora Didi.

Assista ao documentário Didi Caillet

O auge da vida da beldade (entre 1929, época do concurso, até seu casamento, em 1933) está relatado no livro e no documentário Didi Caillet ? A Musa dos Paranistas, feito com incentivo da Lei Municipal de Incentivo à Cultura e que reúne fotografias, partituras musicais, gravações, matérias jornalísticas, anúncios de publicidade e embalagens de produtos. Organizado e dirigido por Paulo Koehler, com roteiro do jornalista José Carlos Fernandes e projeto gráfico do designer Lucio Barbeiro, ambos profissionais da Gazeta do Povo, a obra será lançada hoje às 19h30, no Auditório Brasílio Itiberê.

Ao falar de Didi, Koehler pensa, sorri em silêncio e dispara a falar. Ficou fascinado pela trajetória da moça que, aos 19 anos, foi considerada a ?embaixatriz da beleza? no estado. Porém, confessa ter ?caído? no assunto por acaso, há cinco anos . ?Nem sei direito por que a escolhi. Tinha a ideia de fazer um documentário juntando dois filmes da época aos quais tive acesso?, explica.

O projeto cresceu após o autor chegar a um dos quatro filhos da miss, Luiz Gil Leão, que tinha um vasto material sobre a mãe, in­­cluindo um busto feito em gesso, além de vasto material impresso.

Didi recortava e colava caprichosamente todas as reportagens feitas sobre ela (de jornais do Rio de Janeiro e Paraná até a capa da revista O Cruzeiro), e as encadernava em pastas de couro. ?No começo, me concentrei somente nas imagens. Depois, lendo os textos, vi que seria uma história fascinante.?

Segundo Koehler, os textos reunidos no livro permitem enxergar o panorama de três áreas do começo no século 20: a literatura e a imprensa nacional e local e o cinema (reportagens falam da sua participação na inauguração do Cine Avenida, em Curitiba), sem falar, é claro, do feminismo. ?Ela era uma intelectual. Falava quatro línguas fluentemente e foi uma das primeiras mulheres a dirigir carro e a dar entrevistas. Depois dela, as mulheres começaram a opinar mais em questões como o voto feminino.? Porém, segundo o pesquisador, Didi teve uma trajetória contraditória nesse campo, já que tinha posicionamentos mais conservadores e largou tudo quando se casou em 1933 (com Luiz Leão).

Marca

O autor também enfatiza que Didi Caillet usava muito bem estratégias de marketing. Depois da consagração no concurso, estava constantemente na imprensa e foi a figura paranaense mais fotografada do seu tempo. Também foi a primeira garota-propaganda do Paraná, ilustrando vários anúncios. Um de seus livros, Taú (1932) [além desses, ela publicou as obras Reviver e Eu Sou Assim], virou marca de perfume com logotipo idêntico ao da capa da obra.

Inserida em toda a movimentação cultural do estado, Koehler defende a tese de que ela foi a musa dos paranistas, já que, em sua eleição para o Miss Paraná, Romário Martins, João Turim e Alfredo Andersen eram alguns dos jurados. ?Fica nítido nas reportagens. Todo mundo queria ela. Todo mundo só falava da Didi Caillet.?

Serviço

Didi Caillet ? A Musa dos Paranistas. O lançamento ocorre hoje, às 19h30, no Auditório Brasílio Itiberê (Rua Cruz Machado, 138), (41) 3321-4711. Mesa-redonda com o autor e com os convidados Luiz Fernando Lopes Pereira, Regina Iório e Etelvina Maria de Castro Trindade.

Documentário Didi Caillet

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