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Visuais

A Espanha em telas ensolaradas

Museu Oscar Niemeyer exibe 40 telas do espanhol Joaquín Sorolla. Pintor retratou a vida e as paisagens de seu país com luz e movimento

“Nadadores”, de 1905: a praia era o tema que mais apaixonava Sorolla |
“Nadadores”, de 1905: a praia era o tema que mais apaixonava Sorolla (Foto: )

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De maio a setembro deste ano, as telas iluminadas do artista Joaquín Sorolla (1863-1923) levaram 450 mil visitantes ao Museu do Prado, em Madri, que nunca esteve tão cheio desde a última exposição de Diego Velázquez (1599-1660), em 2007 – quando 1,5 milhão de pessoas passaram por ali.

Você provavelmente sabe quem é Velázquez, mas pouco ou nunca ouviu falar de Sorolla. Ciente dessa falta de visibilidade que um dos artistas espanhóis mais prestigiados em seu país tem no Brasil, e em outras partes do mundo, o Museu Sorolla apresenta, a partir de hoje, uma exposição com 40 telas que fazem parte de seu acervo, no Museu Oscar Niemeyer.

"Esta é uma exposição didática, pensada para apresentar Sorolla ao público brasileiro", explica a diretora do Museu Sorolla, Maria Luísa Menéndez. O artista de Va­­lência era um naturalista, mais interessado em retratar paisagens, jardins e cenas da vida, pintadas ao ar livre, ao mesmo tempo em que foi um grande retratista. Não se insere dentro do movimento expressionista que se configura em sua época. "Ele foi único e, por isso, é pouco conhecido", diz a curadora, que percebe um esforço para recuperar artistas que, como o espanhol, não pertenceram a nenhum movimento.

Junto ao técnico David Ruiz, Maria Luísa selecionou para a exposição as telas mais significativas de cada um dos cinco núcleos temáticos mais explorados por este "pintor da luz", como é conhecido, por ter retratado como ninguém a luminosidade do Mediterrâneo.

Em apenas 60 anos de vida, Sorolla pintou mais de 3 mil obras, dentre retratos, paisagens espanholas, jardins e pátios, marinhas e os enormes murais de temática espanhola que realizou para decorar, em 1911, a Spanish Society, em Nova Iorque. "Ele pintava muito rápido, com pinceladas largas, vigorosas", conta Maria Luísa. Só no Museu Sorolla estão 1270 telas que o artista doou, em vida, para o Estado.

Espanha como tema

"Conhecer a obra de Sorolla é descobrir a Espanha", diz Maria Luísa, referindo-se ao interesse do artista pelas paisagem e pela cultura dos povos de seu país. A começar pelo mar, que exercia grande fascínio sobre o valenciano. Sorolla retratou pescadores e crianças simples, nadando ou brincando ao sol, mas também sua própria família que, como a aristocracia da época, ia à praia ler, brincar e descansar sob tendas e roupas de mangas longas – o bronzeado era característica da gente humilde.

O artista pertencia a um movimento de intelectuais chamado regeneracionismo, que pretendia modernizar e desenvolver o país. "Para isso, era preciso educar a população e buscar novas fontes de riqueza, além da agrícola, como o turismo, que hoje predomina. Os artistas olham, então, para o povo e a paisagem em busca da originalidade, da identidade do país", diz Maria Luísa.

Sorolla pintou as mais variadas regiões da Espanhola, sobretudo Castilha. Mas também retratava pátios e jardins de cores vibrantes como os da Andaluzia, com arquitetura de influência árabe, e os três recantos floridos de sua casa – onde hoje está o Museu Sorolla. "Ainda estão como eram antes", diz a diretora.

Exímio retratista, pintou pessoas próximas como o sogro, um renomado fotógrafo com quem aprendeu o ofício, ainda muito jovem, e também figuras públicas como o presidente norte-americano William Howard Taft e o maestro José Jimenez Aranda. Esse último é um retrato mais escuro, distinto, ao modo de Velázquez, pintor que Sorollo admirava e estudou profundamente.

Olhar fotográfico

O enquadramento fotográfico é imperativo em suas pinturas em que revela somente uma parte da cena. "Por vezes, as pessoas aparecem com braços e pernas cortadas, ou há uma visão de cima, peculiar. É um modo muito moderno de pintar", diz a diretora.

A exposição também exibe notas de color, pequenas telas com "ideias imediatas", pintadas em cinco minutos, e grandes quadros que são, na verdade, estudos que deram origem aos 14 pai­­neis que Sorollo produziu para a Spanish Society, de Nova Iorque, que têm juntos um total de 75 metros de largura por 3,5 metros de altura.

"Ele levou oito anos para terminar a encomenda e realizou inúmeros quadros preparatórios", conta Maria Luísa. Por último, a mostra termina com uma boa surpresa: o único de 15 autorretratos de Sorollo feito em seu cenário preferido, o mar.

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