
O Life Is a Loop, um dos mais bem-sucedidos projetos de música eletrônica surgidos no Paraná, completa uma década em 2012 com um passo além de suas elogiadas apresentações, famosas por aliar a discotecagem de Leonardo Arland (Leozinho) e do gaúcho Fabrício Peçanha às performances ao vivo do percussionista Rodrigo Paciornik. O trio lançou, na última segunda-feira, o seu primeiro CD autoral, Life Is a Loop, com faixas que transitam entre o tech-house e o techno. O disco foi lançado no iTunes, onde, até o fechamento desta edição, estava em primeiro lugar na lista de álbuns de eletrônica mais vendidos no Brasil.
A ideia é levar o material para as pistas e utilizá-lo como vitrine. "É importante pela credibilidade e respeito que impõe lançar um álbum de produções autorais", diz Paciornik, em entrevista por telefone. Depois de participar de todo o processo de produção eletrônica das faixas, operado pelo engenheiro de som argentino B.O.N.G., o percussionista trouxe o material para Curitiba, onde gravou as partes de bateria e percussão.
Naturalidade
O desafio de lançar um álbum de um gênero ainda mais sujeito às mudanças velozes da tecnologia e às tendências das pistas se somaram a este tipo de detalhe ao longo da produção. Mas não interferiram no método de criação do trio, de acordo com Leozinho.
"É um trabalho minucioso, mas temos a vantagem da afinidade entre nós três. É um negócio bem leve, sem nenhuma pressão", conta o DJ curitibano. "Em nenhum momento, quando vamos fazer disco, pensamos isso é mais tech, ou mais prog [progressivo]. Se, no final da história, saiu um álbum mais melódico, mais progressivo, como alguns vão dizer, foi algo natural. É bem mais intuitivo", diz.
Festa
Foi esse o espírito que orientou a seleção e ordem das faixas no disco, conforme explica Paciornik. Embora as discotecagens sejam, via de regra, definidas ao longo da performance e de acordo com a resposta da pista, o CD do Life Is a Loop traz uma espécie de roteiro montado para refletir a narrativa de uma festa.
Assim, o disco começa mais leve e melódico, com "Stars", que tem letra e melodia escrita e cantada pela vocalista estoniana Hannah. Alterna batidas mais fortes, como em "C3PO", inspirada em Daft Punk, com momentos menos acelerados. Chega ao ápice de peso em "Only One", a penúltima do disco, e termina em um clima mais calmo em "Finale" remetendo ao fim do encontro, o momento de "guardar os copos" e seguir para outro lugar.
"Testamos na casa de um amigo, que mora em frente à minha casa. Funcionou. A galera perguntava o que era, elogiava", conta Paciornik. "Mas só quando acabou falei que era o nosso disco."



