
Depois de ter ganhado a crítica com o disco Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos (Arterial Music/Rob Digital, 2009), chegou a hora de Otto mostrar ao vivo o álbum ao público curitibano. O "Moby do Sertão", como foi definido pelo jornal The New York Times, se apresenta hoje à noite no John Bull Music Hall (confira o serviço completo).
Catalisado "ao menos 30%" pelo fim do relacionamento do músico com a atriz Alessandra Negrini, o disco que sucedeu Samba Pra Burro (1998), Condom Black (2001) e Sem Gravidade (2004), foi aclamado de maneira unânime como um dos melhores da recente música brasileira.
Isso porque, vigoroso e denso, o disco acertou tanto ao deixar transparecer sua influência do manguebeat Otto foi percussionista da banda Nação Zumbi e membro da Mundo Livre S/A, pontas de lança do gênero quanto suas andanças por outros estilos, como a música eletrônica, (em "Meu Mundo"), e da tradicional canção brasileira, como em "Naquela Mesa" clássico de Sérgio Bittencourt e sucesso indiscutível na voz de Nelson Gonçalves.
Para realizar tudo isso no palco, Otto estará ao lado de um timaço. Fernando Catatau (da banda Cidadão Instigado) e Junio Boca nas guitarras, Bactéria (Mundo Livre S/A) nos teclados, Malê e Axé na percussão, Pupillo (Nação Zumbi) na bateria e Dengue no baixo.
No disco também há as ótimas parcerias com Céu, em "O Leite", e com a mexicana Julieta Venegas, em "Saudade" e "Lágrimas Negras", mas as mulheres desta vez ficaram de fora da escalação.
E se depender de Otto, a sinergia com o público está garantida. Conhecido por apresentações inflamadas, o músico destaca a relação com seus fãs como sua "defesa pessoal". "Olha, se me matassem, iria ter muita gente chorando no enterro. Acho que tenho um público grande, que me acompanha de verdade. Sinto isso nos shows e faço um trabalho cirúrgico com meus fãs. Essa é a minha defesa: a relação com o público".
Expectativa
Otto fez dois shows em São Paulo no mês passado, ambos com ingressos esgotados. Em sua apresentação no Sesc Pinheiros, o público deixou as cadeiras já na primeira música, migrando para a frente do palco. Em êxtase, o músico terminou o show quase nu, ensopado em suor.
"Não tocamos em rádio, ninguém faz reality show com a gente, mas conseguimos muita coisa. E existe algo desde aquele tempo do Chico (Science) que está nos segurando. A essência é essa, já que nunca vamos ter nada de mão beijada", desabafa Otto. Bons indícios de que ele fará um grande show não faltam. Então resta conferir ao vivo o incensado disco, obra capaz de retirar um artista de sua desilusão e provocar críticas positivas até de quem está mais acostumado a ouvir "We Are All Made of Stars" do que "Filha", música que deve abrir o show na noite de hoje.



