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A hora da verdade para Otto

Músico pernambucano apresenta no John Bull Music Hall, em Curitiba, show referente ao seu último disco, um dos melhores de 2009

Otto Maximiliano Pereira: aos 40 anos, músico pernambucano vive o melhor momento de sua carreira | Divulgação
Otto Maximiliano Pereira: aos 40 anos, músico pernambucano vive o melhor momento de sua carreira (Foto: Divulgação)

Depois de ter ganhado a crítica com o disco Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos (Arterial Music/Rob Digital, 2009), chegou a hora de Otto mostrar ao vivo o álbum ao público curitibano. O "Moby do Sertão", como foi definido pelo jornal The New York Times, se apresenta hoje à noite no John Bull Music Hall (confira o serviço completo).

Catalisado "ao menos 30%" pelo fim do relacionamento do músico com a atriz Alessandra Negrini, o disco que sucedeu Samba Pra Burro (1998), Condom Black (2001) e Sem Gravidade (2004), foi aclamado de maneira unânime como um dos melhores da recente música brasileira.

Isso porque, vigoroso e denso, o disco acertou tanto ao deixar transparecer sua influência do manguebeat – Otto foi percussionista da banda Nação Zumbi e membro da Mundo Livre S/A, pontas de lança do gênero – quanto suas andanças por outros estilos, como a música eletrônica, (em "Meu Mundo"), e da tradicional canção brasileira, como em "Naquela Mesa" – clássico de Sérgio Bittencourt e sucesso indiscutível na voz de Nelson Gon­­çalves.

Para realizar tudo isso no palco, Otto estará ao lado de um timaço. Fernando Catatau (da banda Cidadão Instigado) e Junio Boca nas guitarras, Bactéria (Mundo Livre S/A) nos teclados, Malê e Axé na percussão, Pupillo (Nação Zumbi) na bateria e Dengue no baixo.

No disco também há as ótimas parcerias com Céu, em "O Leite", e com a mexicana Julieta Venegas, em "Saudade" e "Lágrimas Negras", mas as mulheres desta vez ficaram de fora da escalação.

E se depender de Otto, a sinergia com o público está garantida. Conhecido por apresentações inflamadas, o músico destaca a relação com seus fãs como sua "defesa pessoal". "Olha, se me ma­­­tassem, iria ter muita gente chorando no enterro. Acho que tenho um público grande, que me acompanha de verdade. Sinto isso nos shows e faço um trabalho cirúrgico com meus fãs. Essa é a minha defesa: a relação com o público".

Expectativa

Otto fez dois shows em São Paulo no mês passado, ambos com in­­­gressos esgotados. Em sua apresentação no Sesc Pinheiros, o pú­­­blico deixou as cadeiras já na primeira música, migrando para a frente do palco. Em êxtase, o músico terminou o show quase nu, en­­­sopado em suor.

"Não tocamos em rádio, ninguém faz reality show com a gente, mas conseguimos muita coisa. E existe algo desde aquele tempo do Chico (Science) que está nos segurando. A essência é essa, já que nunca vamos ter nada de mão beijada", desabafa Otto. Bons indícios de que ele fará um grande show não faltam. Então resta conferir ao vivo o incensado disco, obra capaz de retirar um artista de sua desilusão e provocar críticas positivas até de quem está mais acostumado a ouvir "We Are All Made of Stars" do que "Filha", mú­­sica que deve abrir o show na noite de hoje.

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