Zach Helm. Guarde bem esse nome. O roteirista de Mais Estranho Que a Ficção, filme que estréia neste fim de semana no Brasil, pode, em um futuro próximo, ser o sinômimo de histórias originais, criativas e ousadas no cinema, assim como é atualmente Charlie Kaufman, Oscar de melhor roteiro por Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças e autor dos também cultuados Adaptação e Quero Ser John Malkovich.
Foi da mente inventiva de Helm que surgiu o personagem Harold Crick, um burocrático funcionário da receita federal americana que um belo dia vê sua vida desinteressante ser contada, com uma certa pompa, por uma narradora invisível que só ele escuta. Harold percebe que é personagem de um livro que está sendo escrito naquele momento pela dona da voz nos seus ouvidos, que descreve com precisão tudo o que ele faz ou pensa. Para complicar, a voz informa que ele morrerá em pouco tempo.
Disposto a continuar vivendo, Crick decide descobrir quem é a escritora e pedir que ela não o mate. Contar mais é tirar o prazer de assistir um filme ímpar, mistura de drama e comédia leve, produção bem acima da média da Hollywood atual e que certamente surpreenderá o espectador. Vale dizer apenas que, no meio do caminho, Harold conhece seu grande amor (mais uma razão para permanecer vivo) e se envolve com um espirituoso professor de literatura, que serve como uma espécie de mentor de sua nova condição de vida.
Mais Estranho Que a Ficção é dirigido com competência pelo alemão Marc Foster, mais um cineasta versátil da nova geração indo do pesado drama A Última Ceia (Oscar de melhor atriz para Halle Berry) à fantasia de Em Busca da Terra do Nunca, passando pelo suspense A Passagem. Ele que vai dirigir a adaptação cinematográfica do best seller O Caçador de Pipas comanda um elenco primoroso e afinado, a começar por Will Ferrell (Melinda e Melinda), que interpreta o inicialmente patético Harold Crick.
O ator americano é mais um comediante a se aventurar com sucesso pela atuação mais dramática, deixando de lado seu conhecido humor histérico, visto em filmes como O Âncora e Os Produtores e no programa Saturday Night Live no qual marcou época na pele de diversos personagens, como o presidente George W. Bush, que na sua impagável interpretação era um abobalhado completo. Seguindo os passos de Tom Hanks, Jim Carrey e Bill Murray, Ferrell foi indicado ao Globo de Ouro de melhor ator em comédia/musical pela sutil intepretação de Harold Crick.
Os demais personagens importantes da trama são Ana Pascal, a paixão de Harold, vivida por Maggie Gyllenhaal (As Torres Gêmeas), o professor de literatura Jules Hilbert, defendido por Dustin Hoffman, e Kay Eiffel, a atormentada escritora da história de Crick, interpretada pela britânica Emma Thompson.
Em tempo: Zack Helm está estreando na direção de longas-metragem com Mr. Margoriums Wonder Emporium, filme no estilo de A Fantástica Fábrica de Chocolates (Tim Burton), com Natalie Portman e Dustin Hoffman, que deve estrear no fim de 2007 nos EUA. A se conferir no Brasil em 2008. GGGG



