É legal ver Cláudia Jimenez em A Vida Alheia, de Miguel Falabella; ou Luiz Gustavo reencarnar o impagável detetive Mário Fofoca, na nova versão de Ti-Ti-Ti; assim como é divertido assistir ao Tom Cavalcante no Show do Tom, Aracy Balabanian como a Gemma de Passione ou Marisa Orth em S.O.S. Emergência. Mas ver todos eles juntos, contracenando no caótico apartamento do Arouche imortalizado em Sai de Baixo (exibido pela RPC TV entre 1996 e 2002), não tem preço.
Ou melhor, tem: o preço de um pacote básico da tevê por assinatura, que inclua o canal Viva. O caçula da Globosat completou quatro meses no ar no último sábado, e é um fenômeno de audiência justamente por resgatar programas queridos do público, como o próprio Sai de Baixo, novelas como Quatro por Quatro e Por Amor, as primeiras temporadas da Malhação, séries como A Casa das Sete Mulheres, Sexo Frágil e Hilda Furacão e seções extintas como "Brava Gente" e "Comédia da Vida Privada".
Mas nem só de passado vive o Viva: o canal também oferece horários alternativos para atrações atuais da TV Globo e do GNT, como Mais Você, Vídeo Show, Estrelas, Caldeirão do Huck, Happy Hour, Superbonita, Diário do Olivier e The Oprah Winfrey Show, entre outras, e filmes dublados.
"A construção da grade e a escolha do conteúdo são resultado de uma detalhada pesquisa realizada meses antes da estreia do canal, com grupos de discussão no Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre", revelou por e-mail a diretora do Viva e do GNT, Letícia Muhana. "Os resultados apontaram para programas relacionados a quatro pilares básicos: dramaturgia, variedades, filmes dublados e humor. Essas atrações atendem os desejos e interesses do público-alvo do canal: mulheres das classes ABC, em sua maioria casadas, que privilegiam o entretenimento em família e se interessam por culinária, saúde, moda e educação."
Portanto, o Viva foi concebido para ser o canal da dona de casa. Acontece que os homens também adoravam Sai de Baixo, Comédia da Vida Privada, Brava Gente e Hilda Furacão, por exemplo. Assim como as crianças e adolescentes se interessam por Sítio do Picapau Amarelo, Sandy & Júnior e Malhação. Mesmo assim, a direção do canal garante que a mulher permanece no comando: "A programação continua dirigida às donas de casa o centro de nossas decisões ao definirmos a grade. Mesmo exibindo atrações para um público mais amplo, o canal Viva preocupa-se em manter o mesmo target [alvo]", reforça Letícia.
O que ajuda a explicar a coexistência de programas antigos e atuais na grade, apesar de todo o sucesso das reprises. "Nossa preocupação é reunir as melhores atrações da Globosat e da TV Globo", explica a diretora do Viva. "Um dos pilares da programação é proporcionar ao assinante programas de seu interesse, em horários adicionais à exibição original, e não apenas o compromisso estrito com atrações do passado. A combinação torna o Viva mais interessante e atende as necessidades por horários flexíveis, exigidos pela audiência e apontadas em pesquisa. Esta fórmula dá o tom do sucesso que o canal tem hoje."
Outro trunfo do Viva é a possibilidade de reprisar novelas mais interessantes do que aquelas que a Globo exibe na faixa Vale a Pena Ver de Novo alvo constante de críticas dos telespectadores. "No primeiro momento, privilegiamos as produções da década de 90, como Quatro por Quatro e Por Amor", explica Letícia. "Estamos analisando, em conjunto com a TV Globo, conteúdos mais antigos indicados a partir dos canais de comunicação com os assinantes, como o Twitter (www.twitter.com/canalviva), o site (canalviva.globo.com) e o relacionamento com as operadoras. A expectativa é que faremos ações interativas em um futuro próximo."
Ela despista, mas dois desses "conteúdos mais antigos" já estão garantidos: a Escolinha do Professor Raimundo, que entra na grade às 20h30 do próximo dia 4, e a cultuada novela Vale Tudo, de Gilberto Braga e Aguinaldo Silva, exibida originalmente em 1988, que retorna no mesmo dia, à 0h45, e será exibida de segunda a sexta-feira. Ou seja, no mês que vem o Brasil inteiro vai poder matar a saudade de Maria de Fátima (Glória Pires), Raquel (Regina Duarte) e Odete Roitman (Beatriz Segall).
A mesma trilha também está aberta para os humorísticos. Além do Sai de Baixo, Chico Total, Comédia da Vida Privada e de A Escolinha do Professor Raimundo, podemos alimentar as esperanças de rever programas como Os Trapalhões, Viva o Gordo, TV Pirata e Armação Ilimitada. "Sem dúvida que há [espaço para esses programas]. Serão exibidos futuramente, de acordo com a política de privilegiar produções da década de 90", observa a diretora. "Porém, ainda é prematuro afirmar qual a ordem de estreia das próximas atrações, já que a grade conta com programas de longa duração." Mas não custa nada entrar na internet e chorar pela volta dos nossos programas preferidos...





