O escritor Paulo Coelho, um dos mais lidos do mundo, iniciou no último dia 20 uma viagem "sem rumo" que o levará até a cidade russa de Vladivostok, com a intenção de conservar o sentido da peregrinação que aprendeu na Espanha, no Caminho de Santiago.
Coelho convocou, na quarta (29), a imprensa, na cidade espanhola de Santiago de Compostela (Galicia, noroeste) e comunicou que dentro de alguns dias embarcará no trem Transiberiano para viajar ao extremo oriente da Sibéria, numa "viagem sabática e não sabática".
- A partir de 20 de março me propus viajar aonde me leve o vento - disse, sublinhando que sua intenção é "estar em contato com os leitores e não perder o significado que a peregrinação até Santiago me ensinou".
O autor afirmou que de esta viagem não necessariamente sairá em livro, "porque minha intenção não é essa". No entanto, em seguida, ele destacou que viajar "é estar em contato com o mundo e as pessoas, e só assim consigo escrever".
Passaram-se 20 anos desde que Paulo Coelho percorreu a pé o Caminho de Santiago. Foi em 1986 e a experiência inspirou sua primeira novela: "Diário de um mago".
Para celebrar a data, o escritor regressou ao Caminho de Santiago, que percorreu desta vez ao lado da mulher e de carro.
- Estou fazendo um percurso simbolicamente. O Caminho a pé não voltaria a fazer. Há coisas na vida que só se pode fazer uma vez e há que se vivê-las intensamente.
O escritor reconheceu que o Caminho o "modificou".
- Antes, via as coisas de uma maneira muito complicada e depois de fazer o Caminho me dei conta de que as coisas eram muitíssimo mais simples, e teria que transferir isso também à minha literatura, sendo muito direto sem ser superficial, como é o Caminho.
Sobre o percurso motorizado que acaba de concluir até Santiago, Coelho se mostrou surpreendido ao encontrar um Caminho "mais democratizado", e considerou que "o Caminho é tão forte que impõe seus valores sempre. É o Caminho que faz o caminhante".
A obra do escritor brasileiro foi traduzida para 61 línguas e vendeu quase 100 milhões de exemplares, "contando as cópias piratas, que são muitas", segundo Paulo Coelho.



