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DVD

A realidade é sempre mais complicada

Ao fazer de um assalto o elemento colateral em filme sobre bandidos, Atração Perigosa consegue humanizar os personagens

Ator medíocre, Ben Affleck mostra que é um diretor de talento ao criar uma história pungente no policial Atração Perigosa | Divulgação
Ator medíocre, Ben Affleck mostra que é um diretor de talento ao criar uma história pungente no policial Atração Perigosa (Foto: Divulgação)

Em vez de contar uma história em que toda a ação se desenvolve ao redor de um assalto a banco – como acontece nos filmes desse tipo –, Ben Affleck escolheu falar sobre um grupo de pessoas que vivem no bairro de Charlestown, na cidade de Boston, capital do estado de Massachusetts, nos Estados Unidos.

Os crimes são colaterais e ajudam a conhecer os personagens tanto quanto as amizades que sustentam e os códigos que respeitam. Essa estrutura humaniza Atração Perigosa, prestes a sair em DVD, e o coloca num grupo de produções do qual faz parte Um Dia de Cão (1975), de Sidney Lumet.

É um filme de assalto a banco, mas é também mais do que isso. O afeto de Affleck pelos moradores desafortunados de Boston foi o motor de Medo da Verdade (2007), que marcou sua estreia na direção.

Por transitar dentro de um mesmo mundo, Atração Perigosa ("A Cidadezinha", no título original) estabelece algumas ligações com o filme anterior e cria um conjunto coerente na filmografia de Affleck, que pode ser um ator limitado, mas está provando ter talento como diretor.

O roteiro, baseado no livro de Chuck Hogan e coescrito por Affleck (com Peter Craig), usa uma grande proeza criminosa para arrematar a ação. E não se trata de um assalto a banco. O grupo encabeçado por Doug MacRay (Ben Affleck) e James Coughlin (Jeremy Renner, indicado ao Oscar de coadjuvante pelo papel) planeja levar o dinheiro da "catedral" de Boston, o estádio do time de beisebol da cidade, os Red Sox. Em dia de jogo.

Usando informações privilegiadas de Fergus (Pete Postlethwaite, morto no mês passado), o cérebro de Doug e os músculos de James, os bandidos são conhecidos pela competência com que realizam os golpes. No FBI, caçar os foras da lei virou a obsessão do agente Adam Frawley (Jon Hamm, o Don Draper de Mad Men).

No golpe que abre o filme, eles entram em um banco e, porque alguém dispara o alarme, decidem levar a gerente como refém. Depois que escapam, libertam a garota, chamada Claire (Rebecca Hall). O problema é que o brucutu James fica desconfiado que Claire possa identificá-los ou que passe alguma informação útil para o FBI. Por causa disso, quer vigiá-la.

Preocupado com os impulsos violentos do colega, Doug se oferece para seguir a gerente. Até o dia em que começa a falar com ela, convida-a para um café e, uma coisa leva a outra, ele se apaixona.

Claire fica traumatizada pelo roubo e pelo sequestro, resolve sair do banco e mudar de vida, talvez trabalhar com crianças. Doug tem plano semelhante e quer deixar o mundo do crime. Mesmo apaixonados e com desejos em comum, talvez eles não consigam ficar juntos. A realidade é sempre mais complicada do que a teoria.

É neste ponto que Affleck mostra talento, por ser capaz de construir um filme sólido, que se sustenta, lançando mão de vários lugares-comuns: o sujeito inteligente que quer mudar de vida e espera fazer isso com a ajuda do amor de uma garota; o passado que o persegue, na figura do amigo violento; um último trabalho antes que cada um possa seguir o seu caminho. GGGG

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