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Cênicas

A solidão em Fernando Pessoa

Espetáculo Pessoalmente Fernando fica no Teatro Regina Vogue mais um fim de semana, mas retorna ao cartaz em maio

Camargo, sem qualquer adereço cenográfico, está em cena com a poesia de Pessoa | Divulgação
Camargo, sem qualquer adereço cenográfico, está em cena com a poesia de Pessoa (Foto: Divulgação)

Falar de Fernando Pessoa com apenas um homem num palco vazio é a sacada de Pessoalmente Fernando (confira o serviço completo do espetáculo).

Isso porque apresentar as diferentes vozes da obra do escritor português num monólogo sem cenário, só com iluminação, acaba escancarando a solidão do poeta.

O autor da adaptação, Edson Bueno, conta que usou palavras de Pessoa em cerca de 70% do texto. "Quem sou eu diante dele?", diz. O trabalho estreou em 2007 e levou diversos prêmios Gralha Azul. Agora voltou ao Regina Vogue, onde fica mais este fim de semana. O espetáculo volta no dia 3 de maio para apresentações toda terça-feira até dezembro.Com duração de 50 minutos, a obra apresenta o autor menino e adulto – personagens que chegam a conversar em um determinado momento –, além de seus pais e os heterônimos Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos. Todos interpretados por Rafael Camargo, premiado com o Gralha Azul de melhor ator em 2007. Também foram premiadas a direção (revelação para Áldice Lopes), a iluminação (para o uruguaio Waldo León, já falecido) e a sonoplastia (Cesarti).

A cola dos personagens são poemas como "O Guardador de Rebanhos", principal influência de Bueno, que também usou esse texto de Pessoa em O Evangelho Segundo São Mateus.

"Sempre quis escrever sobre um cara que eu imaginava morando num hotel da Praça Tiradentes, que olha pela janela e escreve ficção sobre aquele submundo", contou Bueno à Gazeta do Povo.

O resultado se aproxima da pessoa solitária do poeta português, que "deixa seu lugar de infância e depois precisa recuperá-lo para retomar sua humanidade", nas palavras de Bueno. "As pessoas se emocionam porque o espetáculo fala de saudade, de pai e mãe, relacionamentos, perdas", conta o diretor Áldice Lopes. "Na apresentação deste domingo, um casal ficou nos esperando na saída para nos parabenizar porque achou lindo ver um ator em cena e mais nada."

Vozes

Elemento celebrado em Fernando Pessoa, os heterônimos – mescla de pseudônimo com alter ego muito usada pelo autor – estão em Pessoalmente Fernando, mas o espectador não sabe onde termina um e começa outro, na opinião de Bueno. "No fundo, todos eles falam a mesma coisa: que a beleza da flor está na flor, não adianta procurar além dela."

O ator Rafael Camargo descreve seu trabalho como uma entrega. "A adaptação é bastante fragmentada, um quebra-cabeças. Precisei fazer um exercício de liberdade", conta.

Serviço:

Pessoalmente Fernando (confira o serviço completo do espetáculo). Teatro Regina Vogue – Shopping Estação (Av. Sete de Setembro, 2.775), (41) 2101-8293. Drama com direção de Áldice Lopes. Com Rafael Camargo. Dias 23, às 21 horas, e 24, às 19 horas. Classificação indicativa: 14 anos. R$ 30 e R$ 15 (meia).

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