
As aventuras extremas narradas nos livros do escritor norte-americano Jack London (1876-1916), foram, em grande parte, vividas por ele em seus intensos quarenta anos de existência.
Adolescente alcoólatra e brigão, London foi pirata nos rios da Califórnia e percorreu os Estados Unidos e o Canadá pegando carona em trens. Foi preso. Foi operário, mineiro e militante socialista, e, também, marinheiro e caçador de focas no Oceano Pacífico.
Correu em busca do ouro na neve do Alasca na virada do século. Tudo descrito nos cerca de cinquenta livros que escreveu, entre romances, relatos biográficos, contos e ficção científica. Nas obras, sua vida se misturava à ficção e vice-versa.
Dois livros recém-lançados mostram um pouco da trajetória heroica do escritor. Em Jack London Uma Biografia, o jornalista britânico Alex Kershaw traça o mais completo perfil produzido até hoje sobre o autor de Caninos Brancos. Baseado, principalmente, na vasta correspondência deixada por London, Kershaw tenta dar um andamento de romance à vida do escritor, cuja trajetória errante e contraditória o elevou a mito da literatura norte-americana.
No livro, Kershaw tenta demonstrar que London foi mais do que um escritor de livros de aventura para adolescentes (ainda que os tenha feito, e melhor do que ninguém). "Nos pontos altos de sua ficção, como num dos melhores romances da língua inglesa, O Chamado Selvagem, ele era praticamente irretocável", disse Kershaw.
Lendo a biografia, descobrimos o segredo por trás da vasta produção de London em pouco tempo de trabalho, em meio à toda a atividade, drogas e bebedeiras. Houvesse o que houvesse, Jack escrevia mil palavras por dia.
Descobrimos também que London inaugurou nos EUA o estilo jornalismo gonzo, em que o narrador deixa de ser observador para se misturar à ação relatada. Ele também foi o primeiro a escrever sobre o surfe, esporte que praticou no final de sua vida no Havaí. Estão presentes também as contradições de London, que influenciado por Nietzsche, escreveu panfletos que resvalam para o racismo e a eugenia. E também as acusações de plágio que sofreu.
A biografia dá ainda uma versão diferente sobre o episódio que resultou na morte de London em Honolulu, no Havaí. Para Kershaw, a overdose de morfina auto-aplicada pelo homem que escreveu "não desperdiçarei meus dias tentando prolongá-los" foi acidental. Outras biografias sustentam que a dose tenha sido proposital.
Personagem
Outro livro recém-lançado sobre aventuras do escritor é O Mundo Selvagem As Aventuras Secretas de Jack London, de Cristopher Golden e Tim Lebbon. Com ilustrações de Greg Ruth, o romance usa o adolescente London como protagonista, em sua primeira incursão ao Alasca. Simpático, o livro é uma homenagem ao autor. Porém, a melhor maneira de conhecer o universo do escritor ainda é lendo os seus próprios textos.
O Mundo de Jack
Jack London produziu centenas de contos, artigos e mais de 50 livros. Abaixo, algumas obras para conhecer o o universo do autor:
O Chamado Selvagem
Obra-prima de London, narra a jornada de Buck, um cão São Bernardo que é raptado de seu lar na Califórnia e levado para os rigores da corrida do Ouro no Alasca. (Ed. Dracaena, R$ 24)
O Andarilho das Estrelas
Baseado nos manuscritos de um preso que ficou na solitária por oito anos até morrer na penitenciária de San Quentin. Por meio de auto-hipnose, ele se dizia capaz de vivenciar experiências de vidas passadas. (Ed. Conhecimento, R$ 35)
De Vagões e Vagabundos
Relato das experiências de London vagando pelos Estados Unidos e Canadá na virada do século 20. Caronas em trens, prisões e lutas de boxe fazem parte da memórias. O livro tem um tom panfletário em defesa do socialismo. (L&PM, R$ 19)





