
É para se lamentar. Curitiba está fora do roteiro itinerante da exposição Camille Claudel A Sombra de Rodin, que trouxe ao país 16 esculturas da artista francesa, seis esculturas e 18 gravuras de seu mestre e amante, Auguste Rodin, e uma obra de Alfred Bucher, além de cartas trocadas entre o casal e fotos dos dois.
Parte significativa do conjunto vem do acervo da sobrinha-neta de Camille, Reine-Marie Paris de La Chapelle, e deve voltar à França na metade deste mês, após uma última parada em São Joaquim (SC).
Difícil é compreender por que uma exposição tão relevante passa por três cidades catarinenses (as outras são Joiville e Florianópolis) e pelas capitais do Tocantins, Pará, Amazonas, Espírito Santo e Belo Horizonte, mas não vem a Curitiba.
É certo que havia o interesse de trazer o acervo dos escultores para cá. O destino das peças seria o Museu Oscar Niemeyer (MON), já que o UnincenP, que recebera anteriormente uma reprodução autorizada de "O Pensador", de Rodin, recusou o projeto. A intenção, contudo, foi frustrada por divergências quanto à proposição do projeto na Lei de Incentivo Federal.
A assessora cultural do MON, Ariadne Mattei Manzi, explica que o museu mantém a política de ser o proponente dos projetos inscritos junto ao MinC. Segundo ela, a parceria com as empresas patrocinadoras que normalmente financiam as exposições depende de o MON estar à frente do projeto. "Sem isso, há dificuldade de captar o dinheiro para a exposição", justifica.
Do outro lado, a RSB Produções, coordenadora da exposição no Brasil, considerou que ceder ao museu o papel de proponente dificultaria a administração do projeto e desistiu de trazer a mostra ao Paraná. "Tivemos propostas para outros lugares, com leis de incentivo local, o que agilizou a produção do evento", diz o curador Romaric Sulger Büel.
Na impossibilidade de conciliar os dois lados, que tencionavam ser proponentes, as obras voltam para casa sem serem vistas por aqui.



