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História

Alemães que marcaram os palcos curitibanos

Projeto de pesquisa em patrimônio histórico lança hoje exposição e catálogo que recuperam a trajetória do Grupo Teatral Independente, formado por imigrantes vindos da Alemanha

  • Isadora Rupp
Imagem da peça Bobby, de 1951. Na foto, os atores Ketty Mais e Willi Polewka, fundador do Inde­­pendente |
Imagem da peça Bobby, de 1951. Na foto, os atores Ketty Mais e Willi Polewka, fundador do Inde­­pendente
 
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Alemães que marcaram os palcos curitibanos

Apesar de ser neta de alemães por parte da família da mãe, a pesquisadora Fernanda Baukat não aprendeu a língua desde cedo – o interesse por estudar o idioma e sua cultura veio depois, “naturalmente.” Com formação em Teatro e Letras, ela teve contato, ainda na graduação, com pesquisas sobre grupos de artes cênicas em língua alemã no sul do país. Foi aí que Fernanda encontrou o Grupo Teatral Independente, formado por imigrantes alemães em Curitiba, que, nos 20 anos de existência foi assistido por um público de 43 mil pessoas.

O levantamento resultou na exposição e catálogo Independente! Um Palco Alemão em Curitiba, que serão lançados hoje, às 19 horas, no Instituto Goethe (veja o serviço completo no Guia Gazeta do Povo). Os materiais foram viabilizados pelo projeto de pesquisa em Patrimônio Histórico do Mecenato Subsidiado da Fundação Cultural de Curitiba, e recuperam essa história praticamente desconhecida dos curitibanos. A curadoria da mostra, que traz cerca de 40 fotografias das peças encenadas pela companhia, é de José Aguiar. O catálogo será distribuído gratuitamente na abertura, que terá participação dos professores Paulo Soethe e Walter Lima Torres Neto, da UFPR.

Foi numa busca em um arquivo de Joinville que Fernanda viu, pela primeira vez, o nome do Independente, formado por Willi Polewka em 1948 – o grupo, que encenava somente peças em língua alemã durou até 1968, e apresentou 39 espetáculos. Em Curitiba, a pesquisadora encontrou um sobrinho de Polewka (Peter), que herdou os materiais. “Comecei a pesquisar esse espólio, que me foi dado aos poucos. Foi um trabalho bem devagar. Depois do levantamento do material, consegui traçar um perfil”, conta.

Intelectuais alemães que moravam em Curitiba eram a base do grupo – Polewka, por exemplo, era um dos poucos com formação de ator na Alemanha, e fez parte dos estrangeiros que vieram ao Brasil nos anos 1920, chamados na pesquisa de “alemães novos”. Pessoas que, segundo Fernanda, fazem parte de uma migração mais tardia ao Brasil.

O Independente, de acordo com a pesquisadora, integrava uma agitada vida cultural alemã em Curitiba, que reunia ainda veículos de imprensa, escolas, entre outras manifestações. Mesmo com a repressão da língua alemã pelo Estado Novo (pela declaração de guerra do Brasil à Alemanha), o grupo conseguiu continuar suas atividades.

Temas

A primeira apresentação do grupo aconteceu em São Bento do Sul (SC), com a peça A Mosca Espanhola, que depois fez turnê em Curitiba. Segundo Fernanda, o interesse maior era pelas comédias. “Eles trabalhavam com temas bem escapistas. Consegui conversar com alguns senhores que fizeram parte da companhia e eles dizem que a intenção era de fazer as pessoas relaxarem.” Em 1958, os 10 anos de existência foram celebrados com Todos Nós, de Hugo von Hofmannsthal, apresentado entre maio e junho no Teatro Guaíra.

Provavelmente, é pela despretensão em realizar um teatro engajado que o grupo conseguiu prosseguir. “O nome independência era, justamente, pelo grupo não querer se envolver politicamente. Eles viam o teatro como união.” Portanto, textos do famoso conterrâneo Bertolt Brecht, por exemplo, nunca foram encenados. Autores brasileiros, como Joracy Camargo e Pascoal Carlos Magno foram traduzidos para o alemão e apresentados pelo Independente.

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