
A Argentina perdeu, na segunda-feira (18), o último remanescente importante de uma época de ouro em suas artes, as décadas de 30 e 40 do século 20.
Morreu em Buenos Aires o fotógrafo Horacio Coppola, às vésperas de completar 106 anos. Amigo dos escritores Jorge Luis Borges, Ezequiel Martínez Estrada e Leopoldo Marechal, do pintor Xul Solar e da mecenas das artes Victoria Ocampo, Coppola realizou seu aprendizado na Europa, onde entrou em contato com as vanguardas.
Teve forte influência sobre ele a escola alemã Bauhaus.
Munido de sua máquina Leica, voltou à Argentina e passou a perambular pelas ruas. O resultado foi seu trabalho mais importante, o livro Buenos Aires 1936: Visión Fotográfica, feito por encomenda do governo local.
Suas fotos da época mostram a cidade, que refletia um momento de apogeu econômico, em pura transformação.
As massas passavam a integrar a paisagem e o homem começava a ter seu espaço redefinido. Buscou simetrias, retratou avenidas, esquinas e monumentos com paixão geográfica e também olhares, detalhes de roupas, gestos.
Em 2010, o Museu Lasar Segall, de São Paulo, realizou uma mostra com imagens de Buenos Aires por Coppola e da capital paulista, pela suíça Hildegard Rosenthal.
O olhar modernista de ambos expôs como as cidades cresciam de modo relativamente semelhante, ao mesmo tempo deixando entrever as razões por que se tornariam tão diferentes no futuro.
Desde a morte de sua última mulher, em 2004, Coppola tinha saído de cena e quase não compareceu às homenagens dos seus 100 anos, em 2006, quando o Malba (Museo de Arte Latinoamericano) organizou uma grande retrospectiva de sua obra.
Segundo relatos, passou seus últimos meses no apartamento da Rua Esmeralda, na capital portenha. Recebia poucos visitantes e ouvia música, principalmente Mozart e Beethoven.



