
Vamos pintar paredes? Com essa pergunta, a designer curitibana Giusy de Luca reuniu, em 2006, um grupo de ilustradores para dar vida às paredes do Kitinete, bar da capital que tem o kitsch como tema principal. Assim nasceu o coletivo Mucha Tinta, que conta com a participação de artistas de todo o país. A iniciativa deu certo e rendeu novos projetos: a última empreitada foi a reformulação do bar Wonka. Pelas paredes, a fantasia criou espaço para referências ao diretor Tim Burton e ao expressionismo alemão, com personagens e distorções bem delineados.
Os ilustradores pincelaram à vontade para imprimir sua arte no concreto. "Havia um tema e cada artista era livre para deixar seu estilo marcado nas paredes", explica Giusy, que assina a direção de arte do coletivo. A mudança no ambiente do Wonka não vem só das novas cores. O bar passou por uma reestruturação, para melhorar o fluxo das pessoas que circulam por ali. "O objetivo não era fazer outro bar, mas melhorar o que já tínhamos e acho que conseguimos", diz Ieda Godoy, proprietária do Wonka, que encarou o desafio de reunir artistas com escolas e trajetórias diferentes para repaginar o bar. O resultado é fruto de um trabalho colaborativo, em que artistas de renome e novatos trabalham lado a lado.
O ilustrador Diogo César, natural de Joinville e radicado em Curitiba há dois anos, tinha uma missão inicial: colorir uma parede com a amiga Ettiene Pellizari. A proposta dos dois agradou e eles ganharam um ambiente inteiro para criar uma versão pessoal de uma Alice no País das Maravilhas, livro clássico de Lewis Carroll. "Nosso tempo era curto e optamos por fazer um croqui direto na parede", explica César. O desenho agradou e comoveu quem estava no local. "Para mim, não é palpável entender como é tão emocionante para os outros encarar o desenho", conta, ressaltando que de vários pontos do bar é possível ser observado por essa Alice.
Com pouco tempo para finalizar o trabalho, os dois contaram com a ajuda de vários amigos, que se ofereceram para dar algumas demãos de tinta à parede.
O clima de troca e cooperação imperou no Wonka e agradou os ilustradores. Para Guilherme Caldas, da Candyland, a opinião dos colegas foi fundamental. "O que eu havia planejado não ia ficar bacana, então pensei em outra solução na hora. O bom é que tinha bastante gente para eu mostrar os rabiscos que tinha feito", conta. A sua parede ganhou o rosto de Suelen, uma personagem das histórias em quadrinhos que ele faz, em versão maxi. "Essa coisa do tamanho não me assusta muito. Tem uma relação diferente com o traço e com o desenho, mas nada que calma e habilidade não resolvam", opina Caldas sobre esta outra forma de trabalhar.
Tendência
Para Márcia Manzana, proprietária do Kitinete, precursor deste tipo de decoração em Curitiba, esse é um período de boom da ilustração. "O grafite ganhou espaço nos museus e tirou o olhar preconceituoso de muitas pessoas, que passaram a olhar essas manifestações comuns da rua como arte", opina.
No entanto, para Caldas, esse tipo de decoração não deve ser aposta para muitos bares, porque exigem que as pessoas estejam preparadas para um resultado final inesperado e nem todos têm essa disposição. "Eu prefiro que essas ações continuem sendo uma coisa espontânea, porque assim se tornam mais interessantes", argumenta.
Serviço
Wonka Bar (R. Trajano Reis, 326 São Francisco), (41) 3026-6272.
Kitinete (R. Duque de Caxias, 175 São Francisco), (41) 8434-0314.
Mucha Tinta - www.muchatinta.com.br







