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Música

As charges musicais dos irmãos Caruso

O grupo Conjunto Nacional, dos cartunistas Paulo e Chico Caruso, canta com humor os fatos da política nacional e internacional

Paulo Caruso como Tio Sam e Chico Caruso como Bin Laden no Conjunto Nacional: uma terceira dimensão às charges diárias | Universidade de Passo Fundo/Divulgação
Paulo Caruso como Tio Sam e Chico Caruso como Bin Laden no Conjunto Nacional: uma terceira dimensão às charges diárias (Foto: Universidade de Passo Fundo/Divulgação)

Quem estava em Passo Fundo no encerramento da 14.ª Jornada Nacional de Literatura pôde testemunhar um espetáculo um tanto incomum, ainda que não seja, de todo, raro: os gêmeos cartunistas Paulo e Chico Caruso cantando músicas sobre a política mundial vestidos como Tio Sam e Osama bin Laden, respectivamente. Trata-se do Conjunto Nacional, uma banda de fundo jazzístico formada pelos irmãos como uma terceira dimensão às charges que am­­bos produzem para diversos jornais e revistas.

"A música é envolvente, é uma arte mais sensorial e emocional, diferentemente da charge que é fria e cerebral", comenta Chico, que, durante o show, ainda se fantasia da princesa brasileira Carlota Joaquina, da primeira dama francesa Carla Bruni – grávida e com uma barriga que, segundo seu irmão, prescinde de enchimento – e do ditador líbio Muamar Ka­­dafi. Este último, aliás, é o tema do mais recente espetáculo promovido pelo Conjunto: o "Rap do Kadafi", cujo refrão diz: "Kadafi segu­­ra/a mudança da hora/toda ditadura/dança com a bunda de fora".

Paulo, pianista autodidata, conta que a banda surgiu em 1985, durante o Salão de Humor de Piracicaba, quando foi organizada uma apresentação musical feita por cartunistas. "Por causa do lema do Tancredo Neves, ‘Muda Brasil. Tancredo Já’, batizei a banda de Muda Brasil Tancredo Jazz Band", lembra. Depois de algumas mudanças na formação e no nome (que hoje faz referência ao projeto arquitetônico paulistano e ao shopping brasiliense), o Conjunto Nacional é atualmente formado hoje por músicos profissionais e cartunistas: além dos irmãos Caruso, Luis Fernando Verissimo e Aroeira integram o naipe de saxofones.

Por telefone

Com curtas temporadas de dois ou três dias, a banda interestadual – Chico Caruso mora no Rio de Janeiro e Paulo, em São Paulo – compõe e "en­­saia" por telefone e se apresenta principalmente em feiras literárias. Em Curitiba, eles estiveram pela última vez há quase quatro anos, em um show no Museu Oscar Niemeyer (MON). Ao contrário das charges, as músicas não são tão perecíveis. "Como o país anda para trás, o repertório fica sempre atual. A gente fala do Sarney desde que ele era presidente e ele ainda está aí!", brinca Paulo Caruso, e diz que, apesar da base de jazz, cada composição chama um estilo musical. "A música da Carla Bruni é uma música francesa no estilo ‘Un Homme et Une Femme’, e agora fizemos o ‘Can-Can do Do­­minique Strauss-Kahn’ [diretor do Fundo Monetário Internacional recentemente acusado de assédio sexual por uma camareira de hotel em Nova York]".

Em meio a um show composto por peças instrumentais, músicas solo e muitas mudanças de figurino, o Conjunto Nacional canta com humor os fatos da política nacional e internacional. Com um pente, Chico Caruso imita o bigode do Sarney e faz os penteados de Fernando Collor, Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso. Depois, imitam o ex-presidente Lula traduzindo a canção "One for My Baby (and One More for The Road)", popularizada na voz de Frank Sinatra. "Ainda não fizemos nada pro governo Dilma. Mas o governo Dilma também não fez nada por ele mesmo", brinca Chico.

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