
Depois de passar praticamente duas décadas em Israel, o artista Abraham Palatnik, nascido em 1928, em Natal (RN), voltou ao Brasil para viver no Rio de Janeiro e conheceu a psiquiatra Nise da Silveira, que lutou contra as formas agressivas de tratamento em hospitais psiquiátricos e introduziu a pintura como alternativa. O encontro desencadeou uma mudança no trabalho do artista que, aos 85 anos, é um dos mais reconhecidos do país no mercado internacional de arte e pela crítica, além de ser considerado um dos precursores da arte cinética. Abraham Palatnik A Reinvenção da Pintura, que será inaugurada hoje no Museu Oscar Niemeyer (MON), traz uma retrospectiva da carreira do artista.
Depois de observar as excelentes pinturas dos pacientes que não tinham nenhum conhecimento acadêmico, Palatnik resolveu fugir do campo tradicional que praticava e partiu para a construção de aparelhos cinecromáticos, que, quando acionados, formam uma espécie de "telas de luz".
"No trabalho dele, é possível refletir muito sobre a pintura, já que ele nunca deixou de se denominar como pintor. Esse encontro foi um momento de ruptura, por isso ele se dedicou à luz", frisa Felipe Scovino, curador da mostra junto com Pieter Tjabbes. Scovino explica que os objetos de Palatnik também foram influenciados pelos cursos na área de engenharia que ele realizou no período em que viveu em Israel.
Fases
Além dos objetos cinéticos, a mostra traz as primeiras pinturas tradicionais de Palatnik (da década de 1940), trabalhos feitos em papel-cartão e madeira jacarandá, além de uma fase pouco conhecida do artista, quando ele se dedicou ao design, nos anos 1970. Há ainda um conjunto de pinturas recentes, a série W, com produções de 2004 até hoje, e ferramentas que usa em seu ateliê no Rio, onde vive.




