
Uma das obras mais conhecidas do mundo clássico, As Quatro Estações de Vivaldi não costuma fazer as pessoas saírem de casa esperando por novidades. Mas o concerto que a Orquestra Sinfônica do Paraná (OSP) apresenta nesta noite, no Guairão, será uma dessas ocasiões: o solista da peça barroca, originalmente escrita para violino e orquestra de cordas, será um acordeonista o celebrado Richard Galliano (veja o serviço completo no Guia Gazeta do Povo).
Um dos instrumentistas mais importantes de seu país, o músico francês transita tanto pela música popular quanto pelos festivais de jazz e os palcos eruditos.
"Galliano é uma pessoa que, se você quiser rotular, não consegue", diz o maestro da OSP, Osvaldo Ferreira. "É um homem com formação clássica que tem feito um percurso cruzando todos os gêneros. Daqueles músicos que têm essa possibilidade de se adaptar facilmente a qualquer linguagem."
As Quatro Estações foram gravadas pelo acordeonista francês em seu mais novo disco, Vivaldi, lançado pela tradicional gravadora Deutsche Grammophon. Ele já havia gravado peças de J.S. Bach com o instrumento, em 2010.
"Muitos outros acordeonistas já tocaram música clássica antes. Mas entendi que é melhor tocar a música clássica popular com a sanfona, para manter a ligação com o público", explica Galliano, para quem a nova abordagem traz novos significados à peça de Vivaldi. "As passagens lentas das Quatro Estações são muito nostálgicas. O acordeão traz o sentimento de saudade, mais que o violino. Acho que combina muito bem", diz o músico, que fez a gravação com seu quinteto de cordas. É a primeira vez que ele apresenta a obra com uma formação tão numerosa quanto o naipe de cordas da OSP.
Programa
Além das Quatro Estações de Vivaldi, Galliano e a orquestra apresentam três das Cuatro Estaciones Porteñas de Astor Piazzolla (1921-1992) também presente no programa com os tangos "Oblivion" e "Libertango".
O bandoneonista e compositor argentino é uma das principais influências do francês, que o conheceu na década de 1980. Foi Piazzola que inspirou Galliano a voltar ao universo da música tradicional francesa e modernizá-la.
Duas das composições do acordeonista francês poderão ser conferidas no concerto: "Tango pour Claude", tocada à maneira de Piazzolla, e "La Valse à Margaux", que remete à tradicional valsa francesa.
"Estou tentando de qualquer forma manter as raízes da música francesa, mesmo com a influência da música brasileira ou argentina", diz Galliano, que conta ter tido o brasileiro Sivuca (1930-2006) como seu primeiro grande ídolo na adolescência e o sanfoneiro Dominguinhos morto em julho deste ano como amigo. "É importante ficar perto das raízes."




