Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Luto

Autor deixou livro inédito, pronto para ser publicado

"O Valêncio Xavier é um gênio da raça, um escritor único na literatura mundial." A frase é do escritor Joca Reiners Terron que, no final da década de 1990, criou uma editora, a Ciência do Acidente, "apenas" para editar obras do Valêncio Xavier. Em 1998, o selo editaria Meu 7º Dia, de Xavier. Posteriormente, a Ciência do Acidente passou a publicar outros livros. "Mas a proposta inicial era editar o Valêncio que, naquele contexto, não estava sendo editado", diz Terron. Simultaneamente, a Companhia das Letras, reeditou, ainda em 1998, uma das mais importantes obras do autor, O Mez da Grippe há tempos fora do mercado.

Terron, considerado um dos mais relevantes escritores da nova geração, assumidamente influenciado por Valêncio Xavier, comenta que há uma ironia em relação ao destino do seu escritor predileto: "Curioso é o fato de o Valêncio ter feito obras que se preocupavam com a memória, a exemplo de O Mez da Grippe, e ter tido uma doença que provoca a perda da memória." Terron espera que Curitiba – "que nunca se lembrou de Valêncio" – não se esqueça do escritor agora que ele, de fato, está morto.

"Genial"

Valêncio Xavier entregou para Joca Terron, há pouco menos de uma década, uma novela inédita, chamada O Corpo do Sonho, que segue inédita. "Eu queria editar, mas não tive como fazer isso. Então, bati em várias portas, em diversas editoras, mas ninguém se interessou", revela. Na avaliação de Terron, o texto é incrível, "genial". "Será que agora alguém terá interesse em viabilizar essa obra?", pergunta o escritor, editor, que também era amigo pessoal de Valêncio Xavier e costumava divulgar a sua obra para os nomes da nova geração.

Mais careta

"Com a morte de Valêncio Xavier, a literatura fica menos arriscada e mais careta". Quem afirma é o escritor pernambucano Marcelino Freire, vencedor do prêmio Jabuti, um dos mais festejados autores da nova geração. Freire analisa que Valêncio Xavier foi um dos autores mais inventivos da literatura brasileira. "Vai fazer falta", lamenta.

Freire recorda que, no início dos anos 2000, conheceu Curitiba dentro de um fusca dirigido por Valêncio Xavier. "Ele mostrou Curitiba de uma maneira genial", recorda. "O Valêncio me levou em uma feira de antiguidades, onde ele retirava as imagens para construir aqueles livros pra lá de inventivos e inovadores. Me mostrou, ‘in loco’, o seu processo criativo. O Valêncio também era muito generoso", diz Freire.

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.