
À primeira vista, os bonecos do musical Avenida Q (confira o serviço completo) parecem saídos de um programa de televisão infantil dos anos 80. Bem coloridos, com olhos expressivos, dividem o palco com os atores que os movimentam. A peça, em cartaz no Teatro Positivo no sábado (8) e no domingo (9), é a montagem brasileira de um espetáculo da Broadway, que trabalha questões adultas com humor e roupagem lúdica e infantil.
A produção estreou no Brasil em 2009 e já passou por diversas cidades. A americana Avenue Q, ficou em cartaz de 2003 a 2009 no Golden Theater, em Nova York, passando, neste ano, para o circuito off-Broadway. A iniciativa é dos diretores Charles Möeller e Claudio Botelho, de Sassaricando e O Despertar da Primavera.
Além de canções versionadas por brasileiros, marcações de palco, iluminação e bonecos diferenciados, a adaptação do Brasil tem a preocupação de mudar o enredo a cada local da turnê. "A cidade em que a peça se passa é onde estamos nos apresentando. E tentamos inserir clichês sobre o local e regionalismos linguísticos", diz Roberto Donadelli, ator que representa o protagonista da peça, Princeton. Ele faz parte do grupo que apresenta o musical em 2010, pois, neste ano, houve troca de elenco e direção, agora nas mãos de Christina Trevisan.
O fio condutor do enredo é o jovem Princeton, recém saído da universidade e novo habitante de uma grande cidade. "Ele quer encontrar um rumo em sua vida", relata Donadelli. Com o salário curto, a única moradia que pode pagar fica na Avenida Q. Os demais personagens da peça são seus vizinhos, como a psicóloga JapaNeuza; Rod, um homossexual enrustido; Trekkie Monstro, viciado em pornografia online; a professora Kate Monstra, o ex-celebridade Gary Coleman e a fogosa Lucy de Vassa. "Dizem que é um Vila Sésamo para adultos, porque há personagens que representam a professora, o monstro, e Ênio e Beto", explica Donadelli.
Os dez atores nunca tinham trabalhado com bonecos e fizeram um mês de laboratório com João Bresser, um dos manipuladores de Cocoricó. "Os bonecos têm olhos muito expressivos, de qualquer lugar da plateia, o público se sente observado", diz o ator. Mesmo assim, eles têm o rosto parado, o que limita suas expressões, mas é compensado pela atuação.
Aparências à parte, o espetáculo é indicado para maiores de 14 anos. "Abordamos, de forma escrachada, questões como racismo, homossexualidade, pornografia e desemprego", diz Donadelli. Para ele, os bonecos funcionam como filtro para todas as situações. "Se colocássemos atores, Avenida Q iria parecer uma peça que quer dar uma lição de moral", explica.



