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Opinião

Bad Religion aposta em lados B e faz a festa do fãs

Quinteto californiano surpreendeu a plateia curitibana com hits esquecidos e novos clássicos do punk rock | Daniel Castellano/Gazeta do Povo
Quinteto californiano surpreendeu a plateia curitibana com hits esquecidos e novos clássicos do punk rock (Foto: Daniel Castellano/Gazeta do Povo)

Há de se respeitar o Bad Religion por isso. Aos 35 anos de carreira, a banda não se prestou a tocar o feijão com arroz para eventuais desavisados que estivessem passando pelo Curitiba Master Hall no último domingo. Obviamente, grandes clássicos, como "Generator", "Stranger Than Ficcion", "Punk Rock Song", e as imortais "Sanity" e "Suffer", não faltaram, mas se é verdade que o espetáculo se realiza nos detalhes, o grupo californiano mostrou zelo ao fazer um recorte minucioso de lados B que, em sua grande essência, representam a intenção musical da banda: riffs rápidos e redondos, melodia vocal inigualável e letras sempre críticas. Foi assim que a banda surpreendeu a plateia de Curitiba com hits esquecidos, como "Come Join Us" e "Raise Your Voice" e também com novos clássicos do cancioneiro punk rock, como "Sinister Rouge", "New America" e a já mítica "Fuck You", do último disco True North, lançado no ano passado.

Se, em meio à balbúrdia e o calor que fazia no recinto, houve algum erro por parte da banda ou por parte da equipe técnica, não é possível dizer que foi notado. Sempre pontuais, experientes no palco e velhos conhecidos do público curitibano, os integrantes do Bad Religion fizeram o que sabem e o que fazem há muito tempo. Sem espaços para surpresas e sem brechas para imperfeições. A qualidade ao vivo da banda é o que a mantém há tanto tempo na estrada e é também o que torna tão interessante o fato de ainda estar em turnê. As músicas novas são cooptadas quase que automaticamente pela plateia que, como já foi dito, não estava ali por acaso. Mesmo com o ingresso mais caro do que da última vez em que vieram a Curitiba – em outubro de 2011, a meia-entrada custava R$ 80, contra R$ 106 em 2014 –, em um domingo de sol escaldante e com o calendário competindo diretamente com o Planeta Atlântida, em Florianópolis, a casa encheu para ver uma banda que não perde a freguesia em Curitiba. A cidade agradece.

Abertura

O destaque do pré-show ficou por conta do grupo de ska curitibano Abraskadabra. A banda é velha conhecida na cidade, mas infelizmente ainda não tem o destaque midiático que merece por seu ska moderno e enxuto. O sexteto, que foi a segunda banda de abertura, mostrou maturidade musical e performance profissional em um set curto, mas suficiente para deixar uma impressão, permeado de metais e gingado. O grupo ainda teve a humildade de reconhecer que não estava tocando o tipo de música que a plateia pagou para ouvir, e agradeceu a boa receptividade dos punk rockers que estavam ávidos pela porradaria. Sem dúvida, uma banda necessária para figurar no mainstream da capital.

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