
Nova Orleans, Estados Unidos, anos 1930. Bares eram invadidos por gaitas e violões e se tornavam cada vez mais conhecidos por oferecer blues durante toda a noite. Campinas, 1990. Décio Caetano toma um trem em direção a Ribeirão Preto e encontra, por acaso, jovens que rumam para um festival internacional de blues. Por meio de um walkman, tem o primeiro contato com o ritmo, cogerador de gêneros musicais mais jovens do rock à soul music.
Não teve jeito. Quase 20 anos depois, o guitarrista citado pela Revista MTV como um dos cinco maiores bluesmen brasileiros tenta trazer o espírito daquelas festas do início do século 20 a Curitiba, ao realizar hoje à noite o Revival Blues Festival, no Wonka Bar.
Já em sua estreia, o evento leva, ao mesmo palco, nomes reconhecidos e revelações do gênero. A Décio Caetano Blues Banda formada também por Fernando Rivabem (bateria) e Edu Mella (baixo) será a anfitriã, recebendo o gaitista Róbson Fernandes e a guitarrista-revelação Johaine Droppa, de apenas 18 anos, "em uma genuína blues night".
"O Róbson é um dos melhores gaitistas de blues da América do Sul e apresenta muita variedade em seu repertório", diz o paranaense Caetano em referência ao músico paulista. Já Johaine Droppa, apesar da pouca idade, já foi destaque da revista BluesnJazz, uma das mais conceituadas do gênero no Brasil.
No repertório, músicas dos quatro discos já lançados por Caetano e outras, de autoria dos convidados. Róbson Fernandes gravou em 2008 o disco Cool, elogiado internacionalmente. Produzido pelo norte-americano Carlos Sander, o CD explora várias vertentes e ritmos diferentes do blues, com influências do som de Chicago, California e New Orleans.
A curitibana Johaine Droppa que também toca flauta e piano encontrou a guitarra aos 12 anos. Logo depois, gravou Blues Sisters, seu primeiro disco, destaque positivo na revista Jazz+.
"Somos amantes do blues e também compositores. Tocamos pelo Brasil e nosso trabalho tem reconhecimento internacional", diz Caetano, radicado em Curitiba há cinco anos. Além das composições próprias, standards do gênero de B.B King, Albert King e Tony Coleman também estão programadas para esta noite.
A cena
Além do compromisso mensal que se inicia hoje no Wonka, Curitiba recebe seus "blueseiros" em casas como o Hermes Bar e Jokers Pub. Nesta última, ganha vez o "Clube do Blues". Décio Caetano é otimista em relação ao público que prestigia o gênero e diz que a cena na cidade está se fortalecendo.
"Curitiba tem cena, mas não e forte ainda. Está melhor a cada dia, exatamente por esses projetos que têm dado certo. Estamos conseguindo reconquistar o público que ouve blues de verdade", explica o músico, nascido em Goioerê, "capital do algodão do Brasil".
Coincidência ou não, o blues nasceu em meio às plantações de algodão às margens do rio Mississipi, no sul dos Estados Unidos.
Serviço
Revival Blues Festival. Wonka Bar (R. Trajano Reis, 326), (41) 3026-6272. Hoje, às 23 horas. Ingressos a R$8.



