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literatura

Boa literatura tem que soar como a boa música

Uma ideia na cabeça, zilhões de autores na cabeceira e uma disposição anormal já levaram o bibliotecário José Domingos de Brito a publicar seis volumes de sua coleção Mistérios da Criação Literária. Em livros anteriores, ele já abordou a forma como os escritores trabalham e suas motivações, e ainda noções de jornalismo, ciências e política.

Agora, traz ao público pela editora Tiro de Letra Literatura e Música. Trata-se de uma coleção de citações de autores clássicos ou desconhecidos que tiveram, em maior ou menor grau, alguma relação com a sonoridade e os ritmos em seus escritos. Abaixo de cada uma, acrescenta uma curta biografia.

Leia abaixo a entrevista concedida pelo organizador à Gazeta do Povo:

Como começou seu projeto de organizar citações literárias?

Comecei reunindo as respostas à pergunta “Por que escrever?” em fins da década de 1980. Em 1999 lancei o primeiro volume da obra Mistérios da Criação Literária, intitulado Por Que Escrevo? O livro interessou o Valêncio Xavier [1933-2008], que me entrevistou e publicou reportagem sobre o livro no Caderno G de 30 de janeiro de 2000.

Como conseguiu lançar todos os volumes?

Em 2006, lancei o segundo volume, Por Que Escrevo, junto com uma reedição do primeiro. Em 2008, lancei os cinco volumes, com patrocínio da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo.

Como surgiu a ideia para este volume, sobre a música na literatura?

Surgiu a partir da afirmação e reiteração de João Cabral de Melo Neto, dizendo que não gostava de música. Fiquei impressionado com o poeta de Morte e Vida Severina, um poema depois musicado por Chico Buarque, não gostar de música...

Quais escritores o senhor destacaria entre tantos citados como tendo uma literatura influenciada pela música?

São muitos os escritores influenciados pela música. Entre os estrangeiros, temos Alejo Carpentier, Anthony Burgess, José Saramabo, Octavio Paz etc. Entre os brasileiros, Chico Buarque, Arnaldo Antunes, Drummond, Érico Veríssimo, Guimarães Rosa, Haroldo de Campos, Mario de Andrade e tantos outros.

Como o senhor descreveria a importância da sonoridade, do ritmo, enfim da musicalidade na literatura?

Segundo os especialistas (citados no livro) sem sonoridade, ritmo, musicalidade não se faz uma boa literatura. Há, inclusive, quem diga que a boa literatura se parece, ou melhor, soa como a boa música. São linguagens diferentes para um mesmo fenômeno, o da comunicação. Da boa comunicação.

Qual será o próximo volume?

O próximo será sobre outro filhote da literatura, a psicanálise (os outros filhos são o jornalismo e o cinema).

José Brito documentou as matérias publicadas pela Gazeta do Povo sobre sua obra.

Veja em http://www.tirodeletra.com.br/institucional/GazetadoPovo-ValencioXavier.htm

http://www.tirodeletra.com.br/institucional/GazetadoPovo-IrineuNetto.htm

http://www.tirodeletra.com.br/institucional/GazetadoPovo-MarcioR.Santos.htm

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