
À essa altura da vida você não espera que Jon Bon Jovi e seus companheiros façam algo, digamos diferente. Pode ser que o número de fãs histéricas com um simples vislumbre do cabelo laqueado do cantor esteja diminuindo, mas a banda não vai protagonizar grandes revoluções para manter a pose.
Em "Lost highway", os roqueiros de Nova Jérsei foram de mala, cuia - e provavelmente cabelereiros a tiracolo - para Nashville, com intuito de fazer mesmíssima coisa com algum sabor diferente. A idéia, além de respirar a atmosfera local, também foi aproveitar o recente sucesso de uma versão country para uma música da banda.
A mudança de estilo, assim, não passou de maquiagem - como é bem a cara do Bon Jovi. Já sem o mesmo ímpeto da década de 80 e com o grosso da base de admiradoras transformadas em atarefadas mães de família, a banda acomoda seu pop baba dentro de alguns arranjos country. Tudo suave, sem sobressaltos.
Jon Bon Jovi, aliás, aproveita na faixa-título para falar a seu eleitorado sobre envelhecer e passar por mudanças na vida: "A vida se altera como o clima / Você cresce, fica velho ou cai na estrada por aí / então eu dirijo, vendo linhas brancas se passando".
"(You want to) make a memory", a chorosa primeira música de trabalho, também cai como uma luva para as nostálgicas, com a evocação de um amor passado, separado pelas estradas da vida, que volta a se unir para reacender a antiga paixão (caramba, escrevi mesmo essa última frase?).
"We got it going on" tenta puxar um clima de bailão sertanejo com Jon conclamando "tem alguém aí? / estou procurando por uma festa!" - clubes de música country, vejam aí uma boa chance para tocar Bon Jovi.
Para as fãs está tudo bem. É uma chance de reencontrar o seu galã de sempre, mas com o chapéu de caubói na cabeça, e assim quebrar a rotina.



