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Festival de Curitiba

Busca por mais e melhores espaços

Pesquisa revelou quase 300 palcos em Curitiba, e vários deles passam por melhorias para receber espetáculos

Márcio Gonçalves em seu Centro Cultural no Boqueirão: agora com poltronas mais confortáveis para receber o público do Festival de Curitiba | Walter Alves/Gazeta do Povo
Márcio Gonçalves em seu Centro Cultural no Boqueirão: agora com poltronas mais confortáveis para receber o público do Festival de Curitiba (Foto: Walter Alves/Gazeta do Povo)
Auditórios: agora, terá de haver cadeiras para gordinhos. |

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Auditórios: agora, terá de haver cadeiras para gordinhos.

Teatro do Bom Jesus, em cujo palco já estiveram Paulo Autran e Ana Botafogo |

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Teatro do Bom Jesus, em cujo palco já estiveram Paulo Autran e Ana Botafogo

A falta de lugar para estacionar próximo aos teatros do Centro faz o público desejar mais casas de espetáculo nos bairros. Esse anseio pode ser atendido, já que a iniciativa do Festival de Curitiba (FC) de visitar e orientar os teatros da cidade está estimulando alguns deles a entrar em obras para receber peças e shows.

A exemplo do que foi feito há 20 anos, quando houve a primeira edição do festival, foram visitados todos os espaços capazes de receber apresentações na cidade. O resultado foi impressionante: foram identificados 196 palcos, sendo que 25 deles foram considerados ideais para receber peças da Mostra Contemporânea do festival, que neste ano vai se estender de 29 de março a 10 de abril.

"Os teatros são também pontos de encontro, então queremos que as pessoas aproveitem o que a cidade oferece", disse à Gazeta do Povo o diretor do FC, Leandro Knopfholz.

No levantamento, a participação de arquitetos fez com que a análise fosse mais apurada. Descobriu-se, por exemplo, que as poltronas do auditório da Associação Mística da Ordem Rosa Cruz, localizada no bairro Bacacheri, são muito confortáveis.

Veio então o convite para que a instituição recebesse um dos mais de 300 espetáculos da mostra paralela do festival (Fringe). Depois de considerar um pouco, a diretoria cedeu, para a alegria da supervisora cultural da Rosa Cruz, Vivian Tedardi. "Tentamos abrir cada vez mais a instituição, por isso organizamos atividades culturais", ela conta.

A entidade, que para o público externo ainda é envolta em mistério, deve inclusive ser chamariz de público durante o festival, quando receberá sete espetáculo do Fringe. O auditório para 500 pessoas passou por reforma no ano 2000, quando as instalações elétrica e de iluminação foram trocadas e o palco foi ligeiramente ampliado. Outra mudança importante para companhias de teatro foi a criação de camarins.

No que concerne ao público, pode ser dito que estacionamento e assentos confortáveis são os itens essenciais. Essas foram as apostas do Centro Cultural do Boqueirão. Depois de passar no teste do festival no ano passado, quando recebeu uma mostra com peças como Confissões de Adolescente, neste ano ele foi encontrado renovado. No lugar das cadeiras sem braço, estão poltronas. O estacionamento hoje comporta 80 carros. Neste ano, o espaço receberá montagens de fora de Curitiba como Esperando Godot e Mulheres de Nelson.

No ano passado, cerca de 4.500 pessoas passaram pelo centro cultural em mais de 60 apresentações, conforme conta o diretor Márcio Gonçalves. "Achamos que a aceitação do espaço seria demorada, mas não: os estudantes vêm muito a pé, direto da escola", conta.

Outro espaço encontrado durante a pesquisa foi o Centro Feminino de Cultura, também localizando no Centro, onde há dois auditórios.

Um local que foi "promovido" no inventário deste ano foi o teatro do Colégio Bom Jesus, Inicialmente convidado a integrar a mostra paralela, bastou uma visita para que a oferta mudasse: vão receber a estreia de Tio Vânia, do grupo mineiro Galpão, um dos mais conceituados do país.

"Quando verificaram nossa reforma, foi decidido em conjunto que seria adequado participarmos da mostra oficial", conta a coordenadora do teatro, Angelita Oliveira de Lima.

O que chamou a atenção dos arquitetos contratados pelo FC foram o novo palco e as poltronas restauradas, além de detalhes importantes no métier cênico, como varas de iluminação automatizadas, novos revestimentos que aprimoraram a acústica, entre outros.

A expectativa é que o espaço volte a receber grandes nomes como no passado, quando teve em seu palco a bailarina Ana Botafogo e o ator Paulo Autran.

Para os próximos anos, o FC espera fazer novas descobertas nessa busca por bons espaços. Isso porque, de acordo com Knopfholz, outros teatros planejam mudanças: o auditório da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (antigo Cefet) planeja se aproximar mais da comunidade; o da Reitoria da Universidade Federal deve passar por reformas, e colégios como Novo Ateneu e Sagrado Coração de Jesus se revelaram ótimos espaços e podem, no futuro, sediar espetáculos.

Outro endereço que pode entrar no guia do festival nos próximos anos é o da Igreja Nossa Senhora de Guadalupe – atrás do terminal de ônibus metropolitanos, no Centro. Uma sala interna comporta 400 pessoas.

Outra vantagem do estímulo às reformas é adequar os espaços às novas exigências da sociedade e da legislação. "Verificamos que muitos auditórios mais antigos não oferecem acesso especial a pessoas com deficiência", relata a arquiteta Monica Raeder.

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