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Capacidade de superar perdas

O filme Compramos um Zoológico conta a história de como o jornalista Benjamin Mee (Matt Damon) consegue lidar com a morte da esposa

A família Mee compra um zoológico falido e tenta organizá-lo para que volte a receber visitantes | Divulgação
A família Mee compra um zoológico falido e tenta organizá-lo para que volte a receber visitantes (Foto: Divulgação)

Pensando numa palavra para explicar do que trata a comédia dramática Compramos um Zoológico, "resiliência" chega perto, mas ainda não é bem isso.

Na ciência, o termo define a propriedade de certos objetos de retornar a sua forma original depois que sofrem uma ação externa. Agora, o usam também para falar da capacidade que as pessoas têm de suportar maus bocados. Falam, por exemplo, da resiliência dos norte-americanos para atravessar a crise econômica detonada em 2008.

Porém, a palavra não dá conta de um aspecto importante: de que você não é exatamente a mesma depois de ter passado por uma experiência difícil. Você assimila mudanças até para conseguir continuar com a vida depois de seja lá qual for o trauma que tenha sofrido.

Compramos um Zoológico é um filminho despretensioso (a pretensão está toda nesta resenha), mas é também uma história linda sobre como a família do jornalista Benjamin Mee (Matt Damon) consegue lidar com a morte da mãe, mulher de Mee, vítima de câncer no cérebro.

O viúvo tem de cuidar de duas crianças, uma é pequena enquanto o outro está na adolescência – e está sendo consumido pelo luto. Numa discussão com o filho, Mee diz o quanto também se sente triste, mas, para que a vida possa continuar, eles precisam deixar a perda para trás.

"Isso é passado", diz ele, "e nós temos um monte de coisas para resolver daqui para a frente". E essas coisas pendentes têm a ver, enfim, com o mote do filme.

Para lidar com o luto, Mee coloca em prática uma ideia absurda: comprar um zoológico falido e, apesar da total falta de experiência e de conhecimento na área, tentar organizá-lo para que volte a receber visitantes.

Então ele se muda com a família para dentro da propriedade que abriga 200 animais, mantidos vivos contra todas as expectativas graças a funcionários idealistas – um grupo que inclui a veterinária Kelly Foster (Scarlett Johansson).

Apaixonado por animais desde sempre, Mee acha que essa é uma boa forma de fazer a família mudar de ares e ganhar um senso de propósito. Os animais precisam de cuidados tanto quanto os Mee e a teoria do pai se mostra coerente.

O filme se baseia no livro de Mee sobre os percalços que viveu de fato com a sua família. O roteiro incluiu alterações: Mee é inglês e não americano, a sua mulher morreu depois que a família assumiu o zoológico, comprado para inspirar a mãe do jornalista que havia perdido o marido há pouco tempo. Mas a essência do episódio está lá, no filme.

Matt Damon é um pai mais que convincente, talvez porque ele mesmo se declara um homem dedicado à mulher e aos filhos. Seu interesse na história de Mee, disse ele, está relacionado ao sofrimento desse pai de família que, sozinho à noite, depois que todos foram dormir, se dá o direito de olhar fotos no computador e chorar a morte da mulher.

Compramos um Zoológico foi adaptado e dirigido por Cameron Crowe, um camarada mais interessante do que a sua filmografia deixa ver. Ele leva tempo para concluir seus projetos e fez sete filmes em duas décadas, além de documentários musicais sobre o cantor Elton John e a banda Pearl Jam. Alguns de seus trabalhos são apenas OK, como Vanilla Sky e Tudo Acontece em Elizabethtown, mas ele fez dois filmes muito simpáticos sobre a geração de jovens dos anos 90: Digam o Que Quiserem e Vida de Solteiro.

Crowe também é autor de uma entrevista longa com o genial Billy Wilder (1906-2002), diretor de O Pecado Mora ao Lado e Se Meu Apartamento Falasse. A conversa rendeu um livro, inédito no Brasil.

O legal de Compramos um Zoológico é que você pode ignorar tudo que está escrito aqui sobre luto, resiliência e superação. Dá para ver o filme e simplesmente rir das situações engraçadas e se emocionar com as tristes. Não é também por isso que filmes são feitos?

GGGG

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