
Quase todas as 23 mil pessoas que foram assistir à apresentação do Pearl Jam no Estádio Durival Britto e Silva, em Curitiba, na noite da última quarta-feira, tinham na cabeça uma dúvida e uma esperança. A dúvida era se o estádio do Paraná Clube iria mesmo funcionar como espaço para grandes shows. A esperança: se o show da banda norte-americana seria ao menos parecido com o que ocorreu em 2005, na Pedreira Paulo Leminski.
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Pois as notícias são boas. Dando uma colher de chá para problemas inerentes a grandes eventos filas em banheiros, nos bares e a dificuldade de se encontrar um táxi do lado de fora, depois do show , tudo correu bem. E já há planos para que novos eventos aconteçam por lá, enquanto a Pedreira ainda continua fechada.
Já a banda do camarada Eddie Vedder conseguiu fazer o impossível: um show ainda mais marcante do que aquele há seis anos. Como? Surpreendendo fãs ao tocar músicas como "Footsteps", "In Hiding", "Why Go" e "Porch". A escolha por um repertório mais lado B foi um verdadeiro presente para quem viu um show "mainstream" lá na Pedreira era a primeira vez que a banda pisava no Brasil, afinal de contas.
Mas o agrado aos fãs começou cedo. Em "Evil Dog", última música tocada pela ótima banda X, precursora do punk nos Estados Unidos e influência direta para o Pearl Jam, Eddie surgiu nos vocais, quebrando o protocolo. Já com Stone Gossard (guitarra), Mike McCready (guitarra) Jeff Ament (baixo) Matt Cameron (bateria) e Boom Gaspar (teclados) também no palco, "Go", "Arms Aloft", "Animal", "Olé", a mais nova de todas, deram início ao show de forma intensa. Os telões com imagens em preto e branco, a camisa xadrez de Eddie e sua camiseta do filme Rocky O Lutador ajudavam a lembrar que o show, algo nostálgico, era comemorativo aos 20 anos da carreira do Pearl Jam.
"Hoje foi um dia lindo e essa noite vai ser mais incrível ainda", disse Eddie, antes de a banda seguir, implacável e hipnotizante, com "Elderly Woman Behind the Counter in a Small Town", "Corduroy" e "Given to Fly."
Na plateia, viam-se cenas que refletem o que é o grupo hoje. Enquanto alguns esticavam os braços e abriam as mãos, como se tocassem seu ídolo ao longe, outros faziam o sinal típico do rock, com os dedos indicador e mindinho apontados para o ar. Eddie Vedder, por sua vez, cuspiu antes de "The Fixer" e dançou como um bailarino desajeitado em "Setting Forth". São ecos do grunge somados à força do tempo, que hoje faz Vedder pegar mimos que são atirados no palco, ao invés de subir em grades ou se atirar no meio do público.
Carismático ao extremo, Eddie também lembrou de Leandro de Souza Peixoto, "seu melhor amigo no Brasil." No show de 2005, o vocalista chamou Leandro, que é cadeirante, ao palco. "Just Breathe" foi dedicada ao rapaz.
Foram duas horas e quarenta minutos de apresentação. "Black", "Jeremy" e "Alive" foram entoadas como hinos, e alguns sentiram falta de "Do the Evolution". As luzes do estádio se acenderam para "Yellow Ledbetter", às 23h50, encerrar a apresentação de uma banda que consegue se renovar fazendo, incrivelmente, a mesma coisa há 20 anos: rock.



