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Drama

Catástrofe asiática rende filme bom e verdadeiro

O Impossível abraça o desafio de retratar o tsunami de 2004, que arrasou o sudeste asiático, e dramatiza uma de suas histórias reais

Naomi Watts e Tom Holland em cena que mostra o início da saga pela sobrevivência de mãe e filho em O Impossível | Divulgação
Naomi Watts e Tom Holland em cena que mostra o início da saga pela sobrevivência de mãe e filho em O Impossível (Foto: Divulgação)

Impossível falar deste filme baseado em fatos reais surpreendentes sem entregar um pouco de suas surpresas.

Uma família espanhola passava o Natal no sudeste asiático, em 2004, quando foi atingida pelo tsunami que arrasou a costa de vários países da região. Em O Impossível, eles são retratados como os britânicos Maria (Naomi Watts, num papel que lhe rendeu a indicação ao Globo de Ouro de melhor atriz em drama e forte cotação para o Oscar) e Henry (Ewan McGregor).

Os três filhos, Lucas (Tom Holland), Thomas (Samuel Joslin) e Simon (Oaklee Pendergast) vivem as alegrias e conflitos normais para suas idades, até o momento em que a onda gigante os impacta – num efeito que parece ilustrar bem o terror inesperado da situação. Somente aves e répteis pressentem a catástrofe e fogem.

O realismo da força das águas, quebrando tudo que está pela frente e com esses objetos ferindo e matando pessoas arrastadas, é um ponto forte do início do filme. Ao caos veloz, segue-se o pânico e a urgência em saber como e onde estão os familiares.

O encontro da mãe com o filho mais velho imediatamente potencializa a relação entre os dois. No lugar da birra pré-adolescente, entra o instinto de sobrevivência e até o cavalheirismo do menino, que ajuda a mãe, muito ferida, a se movimentar e até a escalar uma árvore.

Na sequência, o longa dá uma ideia de como deve ter sido para os europeus que escaparam da morte serem atendidos em hospitais improvisados na Tailândia, com sangue e gente espalhada pelo chão. Uma infecção num lugar desses chega a parecer o portal do inferno – ainda mais para Maria, médica, que monitora o que está acontecendo com seu corpo enfermo, mas sem ter o que fazer.

Um fator a enfraquecer o longa-metragem é o tradicional encontro e desencontro, por milímetros, entre aqueles que se procuram desesperadamente.

Filmar e ficcionalizar catástrofes que realmente aconteceram não são para qualquer um. Exige respeito pelas perdas – nesse caso, foram 230 mil mortos em 14 países – e muitos efeitos especiais. O Impossível, do catalão Juan Antonio Bayona (de O Orfanato) teve coragem e um bom resultado. Clint Eastwood já havia abraçado a empreitada, em Além da Vida (2010). GGG

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