
Responsável por dirigir cerca de 60 filmes e produzir outros 400, o cineasta norte-americano Roger Corman virá a Curitiba para a próxima edição do evento Madrugada Sangrenta, entre 29 de outubro e 1.º de novembro. Aos 88 anos, o artista irá discutir a produção de cinema independente, participar de um concurso de roteiros e também apresentar quatro obras de seu extenso portfólio. As atividades acontecem na Casa Heitor Stockler de França, no Centro, e no Campus da Indústria da Federação das Indústrias do Estado do Paraná, no Jardim Botânico.
A visita do diretor reforça a imagem de que a capital paranaense está se tornando um polo de realizadores e entusiastas do cinema de gênero (leia mais ao lado). "Todo mundo que faz filmes de horror de maneira independente se inspira um pouco no Corman", confidencia Diana Moro, proprietária da empresa Moro Filmes, que tem se especializado em distribuir produções desse tipo e é responsável pela vinda do cineasta.
Carreira
Nascido em Detroit e veterano da 2ª Guerra Mundial, Roger Corman estudou engenharia industrial, mas logo cedo arrumou empregos em estúdios de cinema de Los Angeles. Por meio de sua produtora, a American International Pictures (AIP), ele financiou centenas de filmes de baixo orçamento, que disputavam com Hollywood a atenção do público ao apostar em tramas fantasiosas e subversivas. Por causa disso, o horror se tornou uma de suas grandes vertentes. O ritmo impressionante de produções foi responsável pela revelação de jovens talentos, caso de Jack Nicholson, Ron Howard e Martin Scorsese, entre dezenas de outros.
Em sua passagem por Curitiba, o norte-americano deve ajudar outro realizador a tirar um filme do papel, pois participa de uma banca que selecionará um roteiro de cinema e um para a televisão com temática de horror. "A ideia é que essa seleção seja responsável por apresentar mais um produtor do gênero", explica Diana, que chamou o canal fechado Space para o evento, o que deve garantir a exibição do projeto vencedor.
Visita
Esta será a primeira visita de Corman ao Brasil desde a década de 1990, quando foi homenageado com uma mostra em São Paulo. Ele vem acompanhado de sua mulher, a produtora Julie Corman. As credenciais para ver a palestra dos dois custam entre R$ 449 e R$ 649.
A mostra de filmes, única atração com entrada gratuita, terá curadoria do cineasta curitibano Paulo Biscaia Filho. "Optei por obras que melhor representassem sua carreira", explica. Serão exibidos A Pequena Loja dos Horrores (1960), A Queda da Casa de Usher (1960), A Mulher Vespa (1959) e Frankenstein O Monstro das Trevas (1990).
Evento começou como piada, mas encontrou seu público
A vinda de Roger Corman para Curitiba durante o Halloween norte-americano sedimenta a ideia de que estamos nos tornando uma das cidades mais importantes para produtores independentes de horror. Em termos de evento com história no gênero, a capital paranaense só perde para Porto Alegre, que realiza há mais de uma década o Festival Internacional de Cinema Fantástico Fantaspoa.
Por aqui, a realização de mostras como a Madrugada Sangrenta, que começou como uma piada entre a produtora Diana Moro e a ex-diretora da Cinemateca de Curitiba Solange Stecz durante a Virada Cultural de 2012, abriu as portas para os realizadores encontrarem seu público. "Em nossa primeira edição, tivemos uma casa cheia de fãs de horror, vendo A Noite dos Mortos Vivos (1968) e Rocky Horror Picture Show (1975). Foi uma loucura", revela Diana.
Com curadoria do cineasta Paulo Biscaia Filho, a mostra foi a semente de outro evento semelhante, a Grotesc-O-Vision, que ocorre no carnaval. A data dos foliões, aliás, é marcada há alguns anos pelo festival Psycho Carnival e pela Zombie Walk. "O que torna nosso carnaval sempre cheio de horrores", brinca o diretor de Morgue Story Sangue, Baiacu e Quadrinhos (2008).
O cineasta tem sido responsável por vincular o nome da cidade ao do horror também por meio de suas produções cênicas e cinematográficas. A ponto de influenciar outros artistas, que têm investido no gênero por aqui. "Não consigo pensar em outra resposta sobre por que gosto do gênero além de dizer que tenho pré-disposição a isso só porque sou curitibano."
Refúgio
Como reduto dos cineastas e adoradores do cinema de horror, a cidade tem atraído outros nomes importantes, como o capixaba Rodrigo Aragão, de Mar Negro (2013) e A Noite dos Chupacabras (2011). Além de realizar uma parceria com Diana para distribuir seus filmes, ele também realiza uma oficina de maquiagem e efeitos especiais e apresenta em primeira mão para os público do evento o curta-metragem O Saci (2014), de sua produtora Fábulas Negras com direção de José Mojica Marins, o Zé do Caixão.






