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Audiovisual

Coleção de nostalgia televisiva

Mostra exibe seriados de tevê das décadas de 1950 e 1960 com dublagens brasileiras originais – material exclusivo de um colecionador curitibano

Cena de O Fugitivo, produzido entre 1963 e 1967 e estrelado pelo ator americano David Janssen | Reprodução
Cena de O Fugitivo, produzido entre 1963 e 1967 e estrelado pelo ator americano David Janssen (Foto: Reprodução)

Fascinado pela tevê, aos 14 anos, o curitibano Gilberto Patriota temeu que os seriados de que tanto gostava, naquele fim da década de 1960, pudessem desaparecer. Resolveu dar um jeito de guardá-los consigo, e começou a registrar os áudios em gravadores portáteis. Passadas as fases em que fotografou as imagens na tevê, comprou películas originais das emissoras de televisão e, por fim, gravou tudo com o videocassete, as imagens de seus enlatados preferidos das décadas de 1950 e 1960 se tornaram fáceis de achar em formato digital, como quase tudo em tempos de internet. Mas o sistema de gravação rudimentar rendeu a Patriota, que se tornou advogado e um dos maiores colecionadores de televisão do Brasil, um acervo com um material que só ele tem: as dublagens originais no Brasil de seriados americanos como Peter Gunn (1958-1961), Johnny Ringo (1959-1960), Inspetor Burke (1963-1966), O Agente da U.N.C.L.E. (1964-1968) e Mannix (1967-1975)

Essas versões se perderam com a falência de distribuidoras, mas sobreviveram nas fitas de Patriota, que mostra parte de seu acervo de quase 10 mil horas de gravação em uma mostra no Museu Guido Viaro (R. XV de Novembro, 1.348 – (41) 3018-6194), que acontece de amanhã a sábado, sempre às 20 horas e com entrada franca.

Vício

"É uma mostra de raridades", diz Patriota, em entrevista por telefone. "São pérolas que não se encontra para locação ou para venda, que gravei desde os primórdios", diz. "Achavam que eu era biruta, porque gravava televisão em vez de música, que era mais comum. Fui um pioneiro na época. Hoje em dia, muita gente grava. Eu não era tão louco assim", brinca o colecionador, que continua aumentando sua coleção. "É um vício. Eu via as séries que deixavam de passar e confirmavam minhas previsões", explica. "Hoje, o que me empolga é conseguir material na internet."

Esta é a segunda mostra que o colecionador faz no Guido Viaro. Mas Patriota, orgulhoso de ser o único a ter estas raridades que já lhe renderam entrevistas em programas de tevê e matérias em revistas, também organizou algumas exibições no Museu da Imagem e do Som (MIS). Sua curadoria leva em conta o que não é possível encontrar em outros lugares a não ser em seu "QG", onde guarda todo o material. E, de acordo com ele, o que atrai pela nostalgia e pelos melhores enredos – já que, garante, só gravou o que gostava.

"Os saudosistas vão ver imagens e ouvir trilhas sonoras que não encontram há 50 anos", diz Patriota. "As filmagens são todas em preto e branco, têm um clima ‘noir’, com sobras bem definidas. É uma estética que está movimentando a indústria do cinema hoje, embalada por essa nostalgia", diz.

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