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Domingos Pellegrini

Grampeado!

Se estão grampeando meu telefone, vão saber que estou botando a Leta no colo e fazendo carinho nas tetas da menininha, conforme contei a um amigo.

Ele me ligou quando eu estava com ela no colo, porque rojões estouravam no bairro e a cadelinha – que chamo de menininha – fica muito assustada com rojões, então boto no colo e lhe acaricio a barriga que, como a barriga de toda cachorra, tem duas fileiras de tetas.

Mas será que o grampeador vai entender? Tenho medo de ser denunciado por abuso sexual de criança e... ainda bem que não me botarão algemas, ao menos isso.

Isso me lembra que pedi a um vizinho para vir buscar as gemas, e o grampeador pode pensar que são jóias, confirmo no dicionário que jóias também são chamadas de gemas, e até imagino a Polícia Federal chegando, com aqueles coletes pretos com letras douradas, para revistar a casa. Tomara que achem o canivete de estimação que perdi há anos. Quanto às gemas, vou explicar que são gemas de ovo, que separei das claras, para fazer clara de neve, e ofereci as gemas ao vizinho para ele cozinhar e dar a seus canários.

Mais difícil vai ser explicar a conversa com outro amigo que ligou avisando:

– Vou aí te levar uns milhões.

– Verdes?

– Verdes. Você cuida aí, depois pego a parte do chefe.

O grampeador decerto vai pensar que são milhões de dólares, "verdes", mas são espigas de milho-verde, que meu amigo agrônomo ganha em fazendas onde trabalha. Aí me traz aqui e eu cuido, ou seja, faço cural, bolo e pamonhas, depois ele pega algumas para levar a seu chefe, que é mineiro e adora pamonha.

Como o grampo deve ser federal, decerto não vão se incomodar com o que falei da Polícia Militar, que é estadual, em conversa com outro amigo:

– Você recebeu aí panfleto da PM divulgando que está de volta o Projeto Povo? Pois é, o tal Policiamento Volante que aparece antes de eleição, deixando números de telefones para a gente ligar, e depois da eleição desaparece, os telefones não atendem mais.

– Você não entendeu o espírito da coisa. É por isso que é policiamento volante, aparece e depois evola.

– Aliás, notou que coincidência? Também é antes de eleição que resolvem tirar os burocratas dos quartéis e colocar nas ruas, anunciando que dobraram o efetivo de policiamento! Só quero ver se precisarem correr atrás de ladrão, com barrigas de Papai Noel!

– Eles pensam que o que intimida ladrão é ajuntamento de polícia. Deve ser por isso que, em eventos, os PMs se encontram, formam rodinha e ficam conversando de costas para o evento que deviam policiar...

– A PM é especialista em estar onde não devia estar, por exemplo no estacionamento de um supermercado aqui do bairro, com uma viatura sempre estacionada, garantindo segurança para a empresa particular enquanto a creche pública é depredada e eles não atendem os chamados dos vizinhos.

– De novo você não entendeu o espírito da coisa. O supermercado deve dar a eles cesta básica ou alguns trocados básicos, e a creche não pode dar nada. Além disso, o supermercado tem milhares de clientes, e a creche só dezenas de crianças. Questão de justiça social.

– Entendi. Bom, tenho de trabalhar. Vou bater uma pura e depois preparar uma mista. Até!

Agora meu medo é que interpretem "bater uma pura" como "cheirar cocaína", e trata-se tão apenas de bater no pilão paçoca só de carne de boi. "Preparar uma mista" é fazer paçoca com carne de boi e de porco. Mas imagine o diálogo na tevê!

E as conversas carinhosas com minha mulher? Se o grampeador for mal resolvido amorosamente, pode ficar com tal inveja que vai querer se vingar... Que tempos! Que saudade de quando grampos eram só de cabelos...

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