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In Vino Veritas

O Imperador do Vinho

Acabo de ler a biografia de Robert Parker (O Imperador do Vinho, Editora Campus), escrita por Elin McCoy, crítica de vinhos e ex-redatora chefe da The Wine Advocate. Leitura obrigatória. Elogiado e difamado, freqüentemente pelas mesmas pessoas, este personagem controverso é exposto em sua verdadeira grandeza, de uma forma honesta e de agradável leitura. O livro cuida da glória, dos erros, da agente que o traiu e do processo que perdeu para Faiveley.

Sobre o processo, um reparo: o "agente brasileiro que avisou Faiveley", da nota injuriosa publicada por Parker no livro identificado equivocadamente como Campos Lello, é o Ciro Campos Lilla, proprietário da Mistral, conhecido de todos nós.

Parker é frequentemente acusado de ser um agente do vinho americano, provavelmente a serviço da CIA, e um demolidor do estilo francês de fazer vinho. Na realidade, Parker ressuscitou o vinho de Bordeaux quando fez sua primeira newsletter sobre a safra de 1982, introduzindo os vinhos de Bordeaux no mercado americano – fato que contribuiu para que eles saíssem de uma enorme crise e aumentassem seus preços. Nesta época, foi tratado como um deus. Quando, na safra de 2001, muito boa, mas abaixo da anterior, aconselhou que os consumidores boicotassem os vinhos devido ao absurdo aumento de preços, virou um demônio.

O método de Parker de atribuir notas aos vinhos sempre foi muito criticado. Inicialmente a sua proposta era aquela tolice escolar de atribuir pontos para cor, outros para o brilho, aroma, gosto e sensações finais e ir somando – método que pode levar a conclusões fantásticas, como 10 em cor e zero em sabor. Mas depois que o Parker começou a dar notas de "relance", indo direto ao resultado final, creio que ganhou consistência porque os valores processados no cérebro valem mais que metodologias infantis. Podemos achar que vinhos não deveriam receber notas e que o gosto do Parker não é o gosto de todo mundo, mas eu nunca encontrei um Parker – 90 ou mais – que não me agradasse.

Muitos acusam Parker de arrogância. Meus amigos que o conhecem dizem exatamente o contrário: faz um pouco o estilo do americano tranqüilo, despojado, que comparece às degustações de bicicleta e vestindo bermudas. Claro que, incensado como estrela, desenvolveu algumas carapaças, como a de se irritar profundamente com quem o critica e a atribuir as discordâncias à existência de interesses ocultos. Mas no vinho conheço muita gente mais vaidosa que ele, que não tem nem seu talento, nem seu sucesso e que perdem as estribeiras freqüentemente. Leiam e bebam Parker, vocês só têm a ganhar.

Confraria In Vino Veritas, degustação de vinhos portugueses Campolargo, dia 15, às 19 horas, fone (41) 3338-7519.

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