Amanhã, às 22 horas, estreia no Discovery Channel a primeira temporada latino-americana do reality show The Amazing Race. Se você sabe do que se trata, pule o próximo parágrafo, para ir direto às informações específicas desta edição. Se não ou pior, se sente um arrepio só de ouvir a expressão "reality show" , sugiro que se demore um pouco mais, porque você vai acabar se convencendo de que o programa é um passatempo instigante e bastante divertido para um domingo à noite.Criada por Elise Doganieri e Bertam Van Munster, a série foi lançada nos Estados Unidos em 2001 e lá já está na 15.ª temporada. Faturou sete prêmios Emmy, seis deles na categoria Reality Show Programa de Competição. Como diz o nome, trata-se de uma corrida envolvendo 11 duplas de pessoas próximas entre si, que percorrem milhares de quilômetros (a pé, de bicicleta, barco, carro, ônibus, avião) entre países diferentes, cumprindo determinadas tarefas, vencendo desafios e superando obstáculos diversos além dos conflitos inevitáveis dentro de cada time. A dupla que chegar primeiro à etapa final, e tiver concluído satisfatoriamente as missões, é a vencedora, e fatura um prêmio de US$ 250 mil.
Nesta primeira edição latino-americana, disputaram o prêmio 11 duplas de sete nacionalidades, que ao longo de 23 dias percorreram florestas, praias, desertos, montanhas, grandes centros e cidades históricas em nove países, num trajeto aproximado de 25 mil quilômetros.
As gravações aconteceram entre maio e junho deste ano em 20 cidades, envolveram 250 pessoas só da equipe de produção e geraram 13 episódios, que serão exibidos até dezembro. O Brasil foi representado por duas duplas de São Paulo: os namorados Anna Claudia Arestivo Arestivo, de 28 anos, e Rodrigo Alegro, de 29 (ambos biólogos); e os amigos de Araraquara Daniel Sidnei Mastroiano, modelo e advogado de 27 anos, e Carlos Emanuel Tavares, personal trainer e empresário de 29 anos.
Há ainda duas equipes da Argentina, duas da Colômbia, duas do México, uma do Chile, uma da Venezuela e outra do Panamá. Mas se você está pensando que as duplas fazem o gênero BBB, No Limite ou Survivor, com moças e rapazes jovens e saradões, errou feio.
Os brasileiros até se encaixariam nesse estereótipo, mas os times são bastante heterogêneos. Por exemplo, a dupla panamenha é formada por pai e filha, Ricardo, de 60 anos (o participante mais velho), e Adriana, de 26. As mexicanas Casilda, de 55 anos, e Casilda, de 30, são mãe e filha. A equipe venezuelana reuniu padrinho e afilhado, Daniel, de 55 anos, e David, de 23. Tem ainda um casal gay, os gordinhos colombianos Diego, de 28 anos, e Miguel Angel, de 25; irmãos argentinos que vivem às turras Ariel, de 26 anos, e Nora, de 33; e gêmeos mexicanos neo-hippies que são uma comédia, Gabriel e Guillermo, de 33 anos.
"Inicialmente, quando vimos as outras duplas, até achamos que teríamos alguma vantagem, porque se tivéssemos uma cabeça parecida, sendo mais fortes, poderíamos sair ganhando", confessou o personal trainer Carlos Tavares, o Carlinhos, na coletiva de lançamento do programa, no início do mês, em São Paulo. "E realmente saímos na frente, mas na correria passamos direto e não vimos a primeira caixa de pistas, nos perdemos, e caímos para último." "Ali já aprendemos que não adianta nada sair correndo alvoroçado, se você não tiver objetivo e não prestar atenção no que está à sua volta. Foi uma lição que trouxemos para a vida", completou o companheiro de equipe Daniel Mastroiano.
Outra dificuldade para os times brazucas foi o idioma todas as outras duplas e o apresentador da atração, o jornalista guatemalteco Harris Whitbeck, falam espanhol. Ainda que as pistas e instruções ao longo da prova fossem fornecidas também em português, tirando o Brasil, nos outros oito países percorridos só se lê e se fala espanhol. E em vários momentos é preciso pedir informações e contar com a boa vontade das pessoas. "Como sou filha de paraguaio com uruguaia, para mim não foi tão difícil. Eu era encarregada de conversar com as pessoas e interpretar as informações", contou a bióloga Anna Claudia. "Nós tivemos muita dificuldade em alguns momentos. Às vezes a gente tinha o nome do lugar, mas pronunciava errado, as pessoas não entendiam e a gente perdia tempo", admitiu Daniel. "Sem falar em alguns taxistas, que cobravam mais quando percebiam que éramos brasileiros. Cobravam US$ 40 da gente, enquanto a mesma corrida para outra dupla saía por R$ 10", completou Carlinhos.
Largada no Paraná
Como você vai poder conferir no domingo, o ponto de partida da corrida foi no Paraná, num local que justifica plenamente o nome da atração ("corrida maravilhosa"): as Cataratas do Iguaçu. Lá os competidores correram muito, desceram de rapel e fizeram rafting no Rio Paraná, antes de pegar táxis até o aeroporto de Foz do Iguaçu, de onde voaram para Porto Alegre e depois viajaram até Gramado, na Serra Gaúcha, a segunda cidade desta etapa brasileira.
As outras cidades e países visitados, bem como os vencedores de cada etapa, a dupla campeã e o orçamento do programa, são segredos guardados a sete chaves pelo Discovery Channel. "Mas esta edição seguramente foi a mais carregada de emoção, com diferentes estados de ânimo. A mais passional, como a própria América Latina", resumiu Fernando Medin, gerente-geral da Discovery Networks no Brasil.
Serviço: The Amazing Race Améria Latina. Canal Discovery. Aos domingos, às 22 horas, com reprise às quintas-feiras, às 21 horas.



