
Depois de sete anos fechado (desde 2005), o prédio que abrigava o Centro Cultural do Portão e o antigo Museu Metropolitano de Arte de Curitiba agora, Museu Municipal de Arte (MuMA) , cujas reformas tiveram início em 2008, abre ao público amanhã, às 19 horas, como Portão Cultural. O espaço, de quase 5 mil metros quadrados, traz de volta o Cine Guarani (impedido de funcionar em 2003, por problemas com o Corpo de Bombeiros), o auditório Antônio Carlos Kraide e quatro salas de exposição, que abrigarão, inicialmente, somente obras do MuMA.
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Performances musicais, exibição de filmes das décadas de 1920 a 1950 e inauguração de exposições farão parte da programação da inauguração do espaço, que ainda recebe algumas finalizações (como colocação dos letreiros, montagem de exposição e reparos na parte elétrica). A divulgação da reabertura, aliás, é intensa pelos mobiliários urbanos da cidade, sobretudo no terminal do Portão. "A ideia é devolver esse espaço muito usado pela população da região que estava carente de lazer. Será um ponto de referência cultural tanto para a região sul como para toda a cidade", diz o coordenador do Portão Cultural, Paulo Cezar Rombi.
Além dos antigos locais revitalizados, o Portão Cultural contará com ateliês de arte digital, salas multiuso, reserva técnica, espaço de convivência e a Casa de Leitura Wilson Bueno (em homenagem ao escritor, morto em 2010), que contará com 8 mil títulos (mas com espaço físico para até 14 mil exemplares).
Ações literárias, como contações de histórias infantis e rodas de leitura também estão na programação. "É uma casa de múltiplas leituras. A única coisa que não teremos é pesquisa didática", explica a coordenadora da casa, Marli Stanczyk. O único local novo e que ainda não abrirá é o Café do MuMA, cujo edital para funcionamento, de acordo com Rombi, está em fase de elaboração.
Na parte expositiva, o público poderá ter novamente acesso ao acervo do MuMA em quatro salas de exposição, com trabalhos de Alfredo Andersen, Guido Viaro, entre outros, além de contemporâneos como Eliane Prolik e Mazé Mendes. Na sala Célia Lazzaroto (mostra permanente) estão preciosidades da coleção Célia e Poty Lazzaroto, doada ao município em 1986, que traz quadros de Picasso, Di Cavalcanti e Portinari. Nos corredores, também foram restaurados um entalhe de madeira do próprio Poty, além de murais de Franco Giglio.
Sessões voltadas ao público infantojuvenil e ingressos acessíveis (R$ 5 e R$ 1 aos domingos) são estratégias para aproximar o público do totalmente revitalizado Cine Guarani. O restante da programação privilegia produções independentes (principalmente paranaenses) e mostras especiais, o que não difere muito do que existe hoje na Cinemateca. "Não temos intenção de competir com o cinema comercial e sim dar espaço ao que não é visto com frequência. Não temos expectativa de uma bilheteria alta, prezamos pela qualidade e baixo custo", salienta a diretora de patrimônio cultural da Fundação Cultural de Curitiba, Marili Azim.
Demora
A obra, que custou R$ 6 milhões, estava, no ano passado, entre as atrasadas e não cumpridas pela gestão municipal a reforma ocorria desde 2008 e demorou três anos para iniciar desde o fechamento do espaço, que tinha problemas de acessibilidade (agora, sanados) e na estrutura do prédio, como infiltrações que estavam prejudicando o acervo do MuMA. "A iniciativa de cerrar as portas foi anterior à elaboração do projeto. Em vários momentos, se interrompeu o andamento para atender a reivindicações, como acessibilidade nos camarins do teatro, por exemplo", esclarece Marili.












