
Uma nova leva de exposições abre hoje, no Museu da Gravura Cidade de Curitiba, no Centro Cultural Solar do Barão, incluindo uma homenagem ao artista Oswaldo Goeldi (1895-1961), no ano em que se completam 50 anos de sua morte. Projeto Goeldi reúne xilogravuras pertencentes ao acervo da Fundação Cultural de Curitiba de Goeldi e outros nove artistas: Lívio Abramo, Poty Lazzarotto, Fernando Calderari, Raul Cruz, Cláudio Mubarac, Abraão Debrito, Rettamozo, Jayro Schmidt e Regina Owlweiller.
As obras foram organizadas de modo a orbitar em torno das xilogravuras "Fúria" e "Rio de Janeiro", do gravurista carioca. A primeira, em fundo escuro e linhas finas e brancas, retrata uma mulher de tamanho desproporcional correndo nua atrás de uma multidão. "As obras dos outros artistas dialogam com ela em aspectos como a escuridão, a solidão, a presença feminina", conta Ana González, coordenadora do Museu da Gravura, dando como exemplo uma gravura de Raul Cruz que tem como personagem uma mulherzinha de ar furioso.
Na outra sala, a pequena gravura "Rio de Janeiro", também com fundo escuro e delicadas linhas brancas que delineiam uma paisagem carioca deserta, se conecta a outras vistas retratadas Retamozzo e Calderari, entre outros. Outra forma de prestar tributo ao famoso gravurista, que teve parte de suas obras exibidas na cidade em uma edição da Mostra da Gravura, em 1999, será a entrega de dez bolsas para artistas que desejam estudar a técnica da xilogravura nos Ateliês de Gravura. "Faremos uma exposição com as obras resultantes desta formação", conta Ana.
Loizel Guimarães expõe na mostra Mar e Terra um dos frutos de seu aprendizado como assíduo frequentador dos ateliês sediados no Solar do Barão, onde ele é guardião há cerca de dez anos: uma única xilogravura, com 2,75m x 1,30m de dimensão, que reúne boa parte de seu imaginário como artista. "Como guarda do museu, ele se interessou pelas atividades, aprendeu e desenvolveu trajetória própria", conta a coordenadora.
Coisa Pública, mostra de Newton Goto, selecionado no edital de ocupação de espaços expositivos da FCC, abrange parte de sua produção anterior e uma obra inédita e reúne fotografia, pintura, vídeo e instalação. Já o paulistano Rômolo exibe histórias em quadrinhos, pinturas e publicações marcadas por um característico humor ácido em mostra promovida pela Gibiteca de Curitiba.
Memória gráfica
Por fim, o gaúcho Hélio Fervenza exibe a instalação inédita Memorar, formada pela repetição da palavra "esqueci" em várias fontes tipográficas recortadas em vinil adesivo, em diversos tamanhos, que se relacionam com o ambiente do museu. "Escolhi duas salas antigas com lustres, teto pintado, piso de madeira, enfim, muito carregadas no sentido arquitetônico e que, por isso, tem a ver com minha proposta", conta Fervenza.
Pelo uso de fontes que remetem a diferentes períodos históricos como a Bodoni, do século 16, a Gótica, ou criadas pelo artista modernista Kurt Schwitters ele dá novos sentidos à palavra. "Palavras são conteúdo, dizem uma informação, mas são forma também, e essa forma dá sentido ao conteúdo", diz o artista e professor de gravura, que desde os anos 80 explora elementos espaciais em suas instalações feitas de itens tipográficos como, anteriormente, a vírgula e o parêntese.
Em sua exploração da memória pela tipografia, o artista estabelece conversas com obras de duas colegas gaúchas, convidadas por ele para participar da mostra. Maria Ivone dos Santos criou o vídeo "Três Questões", no qual as perguntas "O que foi sonhado?", "O que foi construído?" e "O que resiste ao tempo?" aparecem e desaparecem ao som de alguém respirando.
Já Didonet Thomaz, radicada em Curitiba, exibe três placas com senhas que combinam letras e outros sinais gráficos acompanhadas de um vídeo com uma cena do momento em que realizou as gravações em um joalheiro fundado em 1928.






