
Osmar Prado se diz um privilegiado por fazer par com tantas beldades na tevê. Em suas novelas mais recentes, o ator de 66 anos interpretou o marido de Patrícia Pillar, em Sinhá Moça (2006), e de Luiza Valdetaro, em Cordel Encantado (2011). Agora, dividiu a mesma cama com Dira Paes na minissérie Amores Roubados, encerrada na última semana, na Rede Globo. E se prepara ainda para viver o marido de Juliana Paes em Meu Pedacinho de Chão, remake da novela de Benedito Ruy Barbosa que irá substituir Joia Rara, às 18 horas.
"E olha que sou baixinho!" (risos), brinca o ator, antes de recordar uma passagem da carreira: "Quando fiz Ciranda de Pedra (2008), me perguntaram se eu queria usar salto, por conta da diferença de altura com Mônica Torres. Eu disse que não, pegava ela pela cintura, e não ligava para isso. Quando o público se importar com este tipo de detalhe é sinal de que não estou fazendo um bom trabalho."
Pai de três filhas e casado há 20 anos com Vânia Penteado, 15 anos mais jovem do que ele, Osmar já fala com saudade de seu último personagem: o exportador de frutas Cavalcanti, marido machista que foi traído pela mulher, Celeste (Dira Paes), em Amores Roubados. Para o ator, o mais interessante no roteiro de George Moura foram as traições terem partido das mulheres.
"Quando o homem trai, o sistema aceita. Já a traição feminina é uma tragédia. Na minha opinião temos que trabalhar na contramão das tentações. O ponto de vista da igreja prega: até que a morte os separe. Já Vinicius (de Moraes) dizia que não seja imortal, posto que é chama. Mas que seja infinito enquanto dure. Para mim a questão principal não é a fidelidade, mas a parceria. Você não pode esconder a verdade de quem ama. Se não puder olhar no olho, a relação chegou ao fim", opina.
Outro ponto alto para o ator no trabalho foi a parceria que estabeleceu com Dira Paes.
"Foi a primeira vez que contracenamos, mas já havia uma química. Dira não tem o padrão de beleza do sistema. Ela é índia, mulata. A genética sorriu de fato. Por conta disso há uma tendência de colocá-la de uma maneira vulgar no vídeo. Houve uma preocupação nossa para que ela não fosse vista apenas como a mulher fogosa."
Osmar gravou suas cenas finais da série em novembro, após a cirurgia para a retirada da amídala e a sessões de químio e radioterapia para combater um câncer na garganta. Antes das gravações em Petrolina (PE), em agosto, ele já havia feito outro procedimento para a retirada de um tumor no mesmo local.
"Foi uma conspiração cósmica dos astros eu poder permanecer nesse projeto. Começo 2014 curado e liberado para exercícios", comemora o ator, já com a barba crescida e seis quilos a mais: ele perdeu nove por causa da doença.
"Epa"
Com estreia prevista para março, Meu Pedacinho de Chão trará Osmar na pele de outro homem poderoso: o coronel Epaminondas.
"Ele é uma espécie de senhor feudal e o poder sacrifica a questão ética. Meu personagem é um corrupto", adianta.
Após vender um pedaço de terra para um caipira, o coronel Epa, como é conhecido na cidade fictícia, terá muito trabalho para manter seus interesses com a fundação de uma vila no lugar. E os conflitos não param por aí. Epaminondas terá uma relação conturbada com o filho, papel do ator Johnny Massaro.
"É um conflito de gerações. Ele quer que o filho seja o que projetou e o jovem não seguirá a cartilha do pai", diz.
Casado com Juliana Paes na novela, o personagem nutre um ciúme doentio pela mulher.
"Epa é sagaz. Ao perceber que corre o risco de perdê-la, recua. É turrão e quer manter o total controle sobre a mulher. Ela, por sua vez, depende dele financeiramente e se sujeita. Não é como a Celeste, que tinha cartão de crédito", compara.




