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Deborah Colker se apresenta neste fim de semana em Curitiba

No espetáculo Belle, a coreógrafa adapta o livro A Bela da Tarde, do romancista francês Joseph Kessel

Coreografia do novo espetáculo de Deborah Colker é marcada por movimentos controlados e viscerais, que representam nossas vontades primitivas | Flávio Colker/Divulgação
Coreografia do novo espetáculo de Deborah Colker é marcada por movimentos controlados e viscerais, que representam nossas vontades primitivas (Foto: Flávio Colker/Divulgação)

Em 2011, depois de criar a coreografia de Tatyana, baseada na obra do russo Alexander Pushkin, a bailarina carioca Deborah Colker estava sem ideias para montar um novo espetáculo. A inspiração, diz ela, veio como um raio quando se deparou com o livro A Bela da Tarde, de Joseph Kessel.

VÍDEO: Veja um teaser do espetáculo Belle, de Deborah Colker

A identificação imediata com o romance foi o ventre de Belle, espetáculo de dança contemporânea que realiza em Curitiba duas apresentações no próximo sábado e domingo, no Guairão. A montagem usa o corpo para contar a história de Séverine, uma mulher casada que passa o dia trabalhando em um bordel.

"O que me atraiu desde o início para essa trama é a ligação com o desejo pelo que não é permitido. Estamos falando de uma narrativa que discute o instinto humano", revelou a artista em entrevista por telefone à Gazeta do Povo.

A obra de Kessel virou um clássico do cinema mundial nas mãos do diretor espanhol Luis Buñuel em 1967 (leia mais no texto ao lado). Deborah havia visto o filme na adolescência, mas garante que a adaptação não foi sua maior influência. "Procurei mergulhar na narrativa literária, que é linda e cheia de simbolismos sobre nosso inconsciente."

Produção

Para a estrutura do espetáculo, a diretora criou dois ambientes contrastantes, assinados pelo cenógrafo Gringo Cardia. O primeiro revela o lar da personagem principal e o segundo, seu refúgio em um prostíbulo. Para acentuar a distinção entre os universos, duas bailarinas dividem o papel da protagonista.

"A ideia é mostrar como todos nós estamos vulneráveis ao controle social e ao desejo carnal", explica. Não por acaso, Belle é separado em uma coreografia marcada por movimentos regrados e outra mais visceral, instintiva e violenta. Os figurinos de Samuel Cirnansck reforçam essa polaridade entre os mundos criados por Kessel.

Tabu

Deborah não esconde que pretende colocar a libido humana em discussão com a montagem, que descreve como uma imersão dentro do embate que existe contra nossos instintos. "Estamos sempre lutando para conter nossas vontades primitivas."

Depois de ler a obra, a artista revela que o impulso de levá-la ao palco foi maior do que o medo de lidar com o sexo, um tema que considera tabu. A iniciativa tornou sua montagem imprópria para menores de 14 anos – a primeira vez que isso acontece em sua carreira.

"Gosto de pensar que minhas coreografias são para toda a família, mas dessa vez ficou difícil", diz, entre risos. Nas primeiras apresentações no Rio de Janeiro, em junho, as impressões ficaram divididas entre elogios e espantos. "O sexo mexe com a fúria das pessoas."

Ao contrário de suas últimas produções, Deborah não participa dessa coreografia, que deixa para ser interpretada pelos 17 bailarinos que compõem o espetáculo. Além de Belle, a artista continua em turnê com as apresentações de Tatyana, que deve realizar uma breve temporada em Israel no fim do ano.

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