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Cinema

Diário de um homem bom

Filme realizado no Ceará conta a trajetória do médico espírita Bezerra de Menezes, conhecido como o “Pai dos Pobres”

Carlos Vereza, Caio Blat e Paulo Goulart Filho em cena de Bezerra de Menezes: o Diário de um Espírito | Divulgação
Carlos Vereza, Caio Blat e Paulo Goulart Filho em cena de Bezerra de Menezes: o Diário de um Espírito (Foto: Divulgação)

Hoje, dia de seu aniversário, o médico Bezerra de Menezes (1831-1900) é homenageado com o lançamento nacional de um filme sobre sua vida: Bezerra de Menezes: o Diário de um Espírito, dirigido pelos cineastas cearenses Glauber Filho e Joe Pimentel.

O longa-metragem, uma produção da Trio Filmes, com realização da ONG Estação da Luz, conta a trajetória do cearense apelidado de "Pai dos Pobres" por sua dedicação aos pacientes menos favorecidos que, aos 55 anos, se converteria do catolicismo ao espiritismo após ler O Livro dos Espíritos, de Alan Kardec.

O personagem-título é interpretado na maturidade por Carlos Vereza, também espírita, que contracena com outros atores de renome nacional em papéis pequenos como Lúcio Mauro, Caio Blat, Paulo Goulart Filho e Ana Rosa, juntamente com um elenco de atores cearenses.

Tema louvável

Com orçamento de R$ 2 milhões, a produção é louvável pelo resgate que faz da trajetória de um homem reconhecido em todo o Brasil por seus feitos, seja como médico ou como político – na então capital da República, o Rio de Janeiro, aonde foi aos 18 anos para estudar Medicina, elegeu-se deputado e vereador por diversas vezes e defendeu as idéias abolicionistas.

Há uma cena do filme que justifica bem o apelido de "Pai dos Pobres" recebido pelo médico. Ao prescrever medicamentos para uma criança, a mãe diz que não tem dinheiro para comprá-los. Sem nada na carteira, ele lhe oferece seu anel de formatura, dizendo que o objeto não tem mais nenhuma utilidade. Quando a mãe vai à farmácia com a receita, o farmacêutico pergunta se ela tem dinheiro porque ele já tem muitas dívidas do "Dr. Bezerra de Menezes". Espanta-se quando ela mostra o anel.

Também é visível a cuidadosa pesquisa histórica viabilizada pelo biógrafo de Bezerra de Menezes, Luciano Klein, e o trabalho de reconstituição de época, desde o nascimento do médico, em 1831, no município de Riacho do Sangue, hoje Jaguaretama, interior do Ceará, até sua morte.

Mas o personagem multifacetado – médico caridoso, abolicionista –, vivido com intensidade por Vereza, acaba limitando-se pelo foco excessivo no espiritismo, que a partir da metade do filme acaba sendo a única questão explorada.

Tecnicamente, a cinebiografia é simplória. Se o espectador fechar os olhos e só ouvir o filme, compreenderá a história sem nenhuma dificuldade, já que ela é contada de forma linear, didática e até mesmo entediante.

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