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Luto

Diretor do “novo cinema” grego morre em atropelamento

Ambulância que atendeu Theo Angelopoulos demorou para realizar socorro | Divulgação
Ambulância que atendeu Theo Angelopoulos demorou para realizar socorro (Foto: Divulgação)

Em uma das suas últimas entrevistas, o diretor grego Theo Angelopoulos declarou que na crise atual do seu país as pessoas seriam obrigadas a viver como no pós-guerra. "Devemos voltar aos valores do humanismo e deixar de explorar as pessoas", disse. Com 76 anos, Angelopoulos morreu na terça-feira, atropelado por uma moto, enquanto rodava um filme tendo por tema... a crise grega.

Angelopoulos, autor de filmes notáveis como Paisagem na Neblina e O Passo Suspenso da Cegonha, era um dos últimos mestres do cinema em atividade. Teve grande reconhecimento no circuito do cinema de autor e ganhou a Palma de Ouro em Cannes em 1998 por A Eternidade e Um Dia. É dono de obra sintética, porém marcante, cujos pontos mais altos são Os Atores Ambulantes, de 1974, Viagem a Citera, de 1984, O Apicultor, de 1986, Um Olhar a Cada Dia, de 1995; e a trilogia O Vale dos Lamentos. Dirigiu atores como Marcello Mastroianni, Jeanne Moreau, Bruno Ganz, Willem Dafoe, Irène Jacob, Michel Piccoli e Harvey Keitel.

Nascido em Atenas em 1935, o cineasta fez estudos de Direito em sua cidade, mas não terminou o curso. Mudou-se para a França com intuito de estudar literatura na Sorbonne, e depois foi aprender cinema no célebre Institute des Hautes Études Cinématographiques. De volta à Grécia, tornou-se crítico de cinema de um jornal de esquerda, o Allagi, carreira abortada pelo golpe militar dos coronéis que tomaram o poder e fecharam a publicação. Sem emprego, decidiu tentar a sorte no cinema. Influenciado pelas ideias de Bertolt Brecht, planejou compor um grande afresco histórico do seu país, dos anos 1930 (Dias de 36, evocando a morte de um líder sindical) aos tempos mais contemporâneos, com Os Caçadores e Os Atores Ambulantes.

Em sua trajetória, Angelopoulos foi apurando ligeiramente o ângulo do seu interesse. Dos primeiros filmes abertamente políticos, e testemunhos de uma época de turbulência, passou a um enfoque mais pessoal, mas no qual a História ocupava lugar importante. A fase final reflete uma busca mais madura e incessante de uma compreensão profunda do caos do mundo. O filme que rodava quando a fatalidade o colheu mostra que sua preocupação com a realidade, com a dramaticidade do real, continuava intacta.

Polêmica

A Grécia estava em choque ontem após a trágica morte de Angelopoulos. Uma polêmica foi desencadeada no país sobre o atraso da ambulância que atendeu o cineasta. A imprensa local enfatizou a demora dos socorristas para chegar ao local do acidente. Segundo diversos testemunhos, a ambulância teria levado de 35 a 40 minutos para realizar o atendimento. De acordo com as autoridades gregas, uma investigação precisa ser realizada para determinar as responsabilidades dos envolvidos.

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