
"Na adolescência eu era a saracura, a Olívia Palito da turma". "Estava passeando no shopping, quando um cara perguntou se eu não queria ser modelo". "Nunca pensei em ser modelo, sempre fui muito moleca".
Os relatos aparentemente sem pretensão acima são comuns entre as 25 supermodelos que contam suas histórias no documentário "Top models um conto de fadas brasileiro", de Richard Luiz. O filme, que teve pré-estreia durante a São Paulo Fashion Week, entra em cartaz no dia 10 de julho.
Gisele Bündchen, Shirley Malmann, Raquel Zimmermann, Alessandra Ambrosio, Isabeli Fontana, Raica Oliveira, entre outras, tiveram depoimentos colhidos em 2005, durante uma sessão de fotos para um calendário que reuniu as maiores modelos da moda nacional.
"No início, as histórias que as meninas contaram seriam apenas parte do material de divulgação desse calendário", explica Paulo Borges, criador da SPFW e um dos idealizadores do documentário. "Mas vi que poderia render um filme, porque a trajetória de cada uma delas é mesmo um conto de fadas".
Richard Luiz compara a saga das top models com a dos jogadores de futebol. "É uma forma de ascensão social. A maioria dessas garotas é de origem humilde, mas graças ao talento, disciplina e abrindo mão de uma adolescência normal em nome do trabalho, chegaram ao topo".
Anos dourados
"Abrir mão da adolescência" é um dos pontos que as tops mais lamentam no documentário. A gaúcha Carol Trentini reclama de não ter conseguido terminar o ensino médio em função das sessões de fotos e desfiles mundo afora. A paulista Luciana Curtis relata o quanto é duro para uma garota de 15 anos ouvir que não é bonita e magra o suficiente para ser modelo.
"É um mundo muito cruel. Você é tratada feito bicho, eles pegam seu rosto, dizem que seu nariz é grande, seu quadril é largo... Imagina o que passa pela cabeça de uma adolescente ao ouvir tantos nãos'?", questiona a paraense Caroline Ribeiro em momento do filme.
Além das modelos, personalidades do mundo da moda falam sobre as musas fashion do Brasil. O fotógrafo peruano Mario Testino, por exemplo, destaca a importância de Gisele para mudanças nos padrões de beleza.
Nos anos 90, auge da era do "heroin chic", quando o ideal para as revistas de moda eram garotas de aspecto anoréxico, com aparência de "drogadas", Gisele inverteu a ordem ao surgir na capa da Vogue americana com seu corpo cheio de curvas e bochechas coradas.
"Fui a pessoa certa na hora certa", diz a übermodel no documentário. "Soube aproveitar as oportunidades e sempre fui disciplinada. Sempre cumpri meus compromissos, horários".
Mas não é só de histórias de superação é feito "Top models um conto de fadas brasileiro". As modelos também contam histórias curiosas de bastidores de sessões de fotos.
Carol Trentini conta que ficou cinco anos sem comer carne depois de fotografar para um editorial dentro de um frigorífico. Mariana Weickert relata como são longos os instantes em que uma modelo leva um tombo na passarela. Gisele diz que engoliu muito sabão durante um ensaio realizado em meio à espuma.
Prova de que no mundo das tops, nem tudo é glamour.



