Os longas "Serras da desordem", de Andrea Tonacci, e "Anjos do sol", de Rudi Lagemann, dividiram o troféu kikito de melhor filme do 34º Festival de Gramado. O melhor diretor foi Andrea Tonacci. Mel Lisboa levou o de melhor atriz por "Sonhos e desejos", Antonio Calloni de melhor ator, Otávio Augusto de coadjuvante e Mary Scheila de atriz coadjuvante, os três de "Anjos do sol". O filme, um drama sobre prostituição de menores, levou ainda o prêmio de melhor roteiro, assinado por Rudi Lagemann.
"Serras da desordem" levou ainda os prêmio de fotografia - Aloysio Raulino, Alziro Barbosa e Fernando Coster - e direção, de Andrea Tonacci.
O prêmio do júri popular e o prêmio especial do júri coincidiram: foram para o documentário "Pro dia nascer feliz", de João Jardim ("Janela da alma"), aplaudidíssimo quando foi exibido na sexta-feira. O documentário também teve melhor música, de Dado Villa-Lobos.
Uma investigação sobre o sistema educacional brasileiro, o longa-metragem entrevista alunos e professores de escolas de diversas regiões, indo do Nordeste ao Sudeste. O documentário não traz nada de revelador. Constata-se, mais uma vez, o descaso das autoridades, a falta de verbas, o despreparo dos professores etc. Ainda assim, "Pro dia nascer feliz" destaca-se, pois, sem querer ou não, João faz um raio-x delicado e contundente da juventude brasileira.
- Passei quatro anos dedicando a minha alma a investigar a alma de outras pessoas - explicou Jardim antes da sessão.
O esforço valeu a pena, já que o diretor revela um pouco dos desejos e os muitos medos de jovens ricos e pobres, deixando explícito que as classes média e baixa são muito diferentes em algumas coisas e quase idênticas em outras.



